Resenha: Revista Trasgo #03

Revista Trasgo #03
Gael Rodrigues, Roberto de Sousa Causo, Caroline Policarpo Veloso, Claudio Parreira, Tiago Cordeiro e Liége Báccaro Toledo.
Editado por Rodrigo van Kampen e ilustrado por Kelly Santos.
Skoob
★★★★★
Uma coisa que eu acho muito legal na Trasgo é o fato de que, até agora ao menos, a revista continua melhorando a cada edição. Lembro de quando li a primeira e, apesar de ter gostado, não cheguei a ficar muito impressionada não, e só li a segunda para dar mais uma chance à literatura de fantasia e sci-fi brasileira, já que um dia (em um futuro um tanto distante) quero fazer parte ativamente dela. Hoje fico muito feliz por tê-lo feito; amei a segunda e, apesar de ter enrolado muito para começar, também adorei a terceira. Abaixo está minhas opiniões sobre os contos dessa edição:

  • O Empacotador de Memórias (Gael Rodrigues): gostei muito desse conto, tanto pela escrita quanto pela história, que é contada de um modo bem diferente do usual (aliás, o próprio conteúdo já é bem original). Não vou falar muito sobre o enredo; basta dizer que O Empacotador de Memórias trata de temas sérios, mas possui uma narrativa leve e gostosa de se ler.
  • Rosas Brancas (Roberto de Sousa Causo): Rosas Brancas foi um conto interessante e bem escrito (apesar de alguns infodumps), que faz parte de um universo muito maior (se não me engano ele é o prólogo de um dos livros do autor). Apesar de não ser exatamente fã de ficção científica (eu gosto, mas gosto do mesmo jeito que gosto de distopia ou sobrenatural: só sendo muito bem-falado/intrigante pra que eu arranje coragem pra ler), esse foi um conto que conseguiu me prender. O final também foi ótimo.
  • Feita de um sonho (Caroline Policarpo Veloso): prestei um tantinho mais de atenção nesse conto porque a autora é bem nova (17 anos e trocentos contos publicados) (sim, eu me senti um lixinho ao saber disso também). No geral, foi um conto bem escrito (não sou fã de primeira pessoa, mas aqui ficou bom) e como eu adoro a temática de sonhos x realidade, a história me agradou bastante.
  • Invasão (Claudio Parreira): o ponto forte desse conto é justamente a voz do personagem principal, que é bem diferente do que vemos hoje em dia por aí. A escrita também é ótima, e apesar do conto não ser muito do meu estilo, foi uma leitura divertida.
  • Viral (Tiago Cordeiro): Viral, como o próprio nome pode indicar, é sobre zumbis (o que já não é nenhuma novidade), mas o autor conseguiu dar um toque de originalidade bem legal para a história que me agradou bastante. Novamente, a escrita é boa, e os personagens são bem caracterizados. O final meio amargo também fez a história ganhar alguns pontinhos comigo.
  • O Vento do Oeste (Liége Báccaro Toledo): provavelmente meu conto preferido dessa terceira edição junto a O Empacotador de Memórias. É de fantasia, mas uma fantasia bem diferente, baseada na cultura árabe, e a própria história também é bem interessante. Aparentemente a autora planeja escrever um livro a partir desse conto, o que me deixa animada. Faz tempo que não leio uma obra de fantasia nacional, e se a qualidade de O Vento do Oeste for mantida nesse outro projeto, tenho certeza de que adorarei o livro.

Meus contos favoritos, como já disse, foram O Empacotador de Memórias O Vento do Oeste. Quem fez as ilustrações dessa vez foi a Kelly Costa (foram as minhas preferidas até agora, falando nisso), e você pode checar o trabalho dela para a Trasgo aqui.

Para mais informações sobre como enviar seu conto, clique aqui, e para baixar e/ou ler a Trasgo, clique aqui. Enfim, cinco estrelas para a terceira edição.

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Resenha: Revista Trasgo #02

Revista Trasgo #02
Ana Lúcia Merege, Victor Oliveira de Faria, Jim Anotsu, George Amaral, Albarus Andreos, Cristina Lasaitis.
Editado por Rodrigo van Kampen e ilustrado por Alex Leão.
Skoob
★★★★

Como o material da primeira edição no geral me agradou, resolvi me livrar da preguiça para conferir a segunda edição da revista Trasgo. Abaixo está minha opinião sobre os contos contidos nela.

(Para quem quiser ler a resenha da primeira edição, está aqui).

  • Rosas: escrito por Ana Lúcia Merege, Rosas foi um conto que me fez soltar um “wow” quando terminei de ler.  Não vou falar muito sobre a história em si porque é um conto bem curto e eu acabaria não passando a ideia dele muito bem (?). Enfim, foi uma escolha perfeita para abrir a edição; é bem escrito, bem pensado e o final te deixa realmente surpreso. Gostei de verdade.
  • Cinco bilhões: esse deu um nó no meu cérebro da primeira vez que li (talvez porque eu o fiz às quatro e meia da manhã, mas enfim), logo quando a segunda edição foi lançada. Depois de ler outra vez, hoje, as coisas começaram a fazer mais sentido (lol). No geral, eu gostei também; é bem escrito (os diálogos me incomodaram bem de leve, só um pouquinho mesmo) e a ideia, apesar de não ser do tipo que eu gosto, foi boa o suficiente para me manter entretida até o fim. Escrito por Victor Oliveira de Faria, Cinco bilhões é um conto de ficção científica que se passa, inicialmente, em um futuro distante em que a humanidade não existe mais como a conhecemos hoje e que o nosso sol – então chamado de Sol Vermelho – está cada vez mais próximo de seu fim.
  • Hamlet: Weird Pop: escrito por Jim Anotsu, Hamlet: Weird Pop acabou me conquistando pelo estilo da escrita (que me agradou bastante, de verdade) e pelo enredo no mínimo inusitado. Viola Wright é uma jovem diretora prestes a estrear sua peça, uma adaptação meio diferente de Hamlet (até música do Simple Plan tocaria nessa adaptação, para vocês terem uma ideia), quando recebe a visita de um advogado do além. Segundo ele (um duende, aliás), Shakespeare não quer que ela mexa em sua peça. O desenrolar da conversa entre os dois é bem divertido, e o final também vale a pena.
  • Código Fonte: escrito por George Amaral, Código Fonte, assim como Rosas, me deixou surpresa no final. Também se passa no futuro, embora em um não tão distante assim, e trata de um dos temas preferidos de muitas histórias por aí: o envelhecimento e a imortalidade. O que me agradou mais nesse conto foi justamente o plot twist do final; houve um momento em que achei já ter descoberto o que aconteceria, mas então puf, a história deu uma reviravolta e me provou errada. Houve um pouquinho de infodump, mas nada grave. A escrita também foi ótima.
  • A Maldição das Borboletas Negras: esse foi um conto que realmente me divertiu. É interessante por causa da narrativa diferente, bem brasileira mesmo, embora seja também meio mórbido, e traz personagens e situações bem únicos. Me lembrou um pouco Rosas, não por seus enredos (são total e completamente diferentes), mas sim pela capacidade, por assim dizer, de realmente fazer o leitor se esquecer do mundo durante a leitura. Escrito por Albarus Andreos.
  • O Homem Atômico: último conto da segunda edição, foi escrito por Cristina Lasaitis. Bem divertido também, conta a história de um mendigo de São Paulo que dizia ser um cientista da época da ditadura e ter trabalhado em um programa nuclear brasileiro antes de ser exilado por saber demais sobre tal programa. Novamente, a escrita/narrativa se destaca e o final conclui com satisfação a história.

Na primeira edição da Trasgo foi até fácil escolher meu favorito, mas nessa admito que fico indecisa entre Rosas, O Homem Atômico e A Maldição das Borboletas Negras, embora todos os cinco contos sejam muito bons.

O artista dessa edição foi Alex Leão. Você pode conferir seu trabalho aqui.

Para mais informações sobre como enviar seu conto, clique aqui, e para baixar e/ou ler a Trasgo, clique aqui. Enfim, quatro estrelas para a segunda edição!

Resenha: Revista Trasgo #01

Revista Trasgo #01
Hális Alves, Karen Alvares, Marcelo Porto, Claudia Dugim e Melissa de Sá.
Editado por Rodrigo van Kampen e ilustrado por Felipe Pagliuso.
Skoob
★★★
A Revista Trasgo é a mais nova revista de contos de fantasia e ficção científica brasileira. De graça (pelo menos por enquanto) e digital, fica bem fácil colocar no celular e ler sempre que aparecer um tempinho livre. E, bem, foi isso que eu fiz.A Trasgo é composta por cinco contos, todos de temas diferentes (dentro, é claro, dos gêneros de fantasia e ficção científica). Abaixo está minha opinião sobre cada um deles.

  • Ventania: escrito por Hális Alves, Ventania é um conto distópico que se passa no litoral nordestino. Não quero falar muito do enredo para não estragar a história, mas eu gostei bastante do worldbuilding feito pelo autor para esse conto. A coisa toda ficou verossímil e bem estruturada, o que me deixou confortável para seguir com a leitura sem trancos ou barrancos. As únicas coisas que me incomodaram foi: 1) o final ficou um pouco corrido; Ventania se daria melhor como uma curta do que como um conto e 2) diálogos me incomodaram em alguns momentos, mas nada grave. De resto, está muito bom.
  • Azul: quem me conhece sabe que sou meio medrosa e fujo de qualquer coisa que envolva terror, mas o conto escrito por Karen Alvares me conquistou pela ideia original. Mais uma vez o final ficou meio corrido, mas a ideia foi tão boa que isso nem incomodou muito. Azul conta a história de Nora, que tem um encontro macabro ao voltar para casa
  • Náufrago: outro conto ambientado no nordeste (dessa vez na minha cidade, Salvador), escrito por Marcelo Porto, conta a história de Diogo, um homem que acaba no meio de uma enorme confusão no tempo enquanto atravessava a Baía de Todos os Santos a trabalho. Conto no geral bom; a escrita/os diálogos me incomodaram várias vezes, mas eu gostei.
  • Gente é tão bom: sinceramente não sei o que dizer desse conto. Acredito que seja uma espécie de crítica a nossa sociedade consumista de produtos industrializados, mas acho que a coisa toda ficou corrida demais para ter um bom efeito. No geral, regular. Escrito por Claudia Dugim.
  • A Torre e o Dragão: melhor conto dessa edição. Sinceramente, eu o adorei. Adorei tudo, desde a escrita até o enredo. Perfeito, sem mais. Se a autora, Melissa de Sá, fizesse um livro com esse plot eu compraria sem pensar duas vezes. O final foi muito bom, (e sim, agora vou dar uma stalkeada básica na escritora pra ver se acho mais trabalhos dela).

Além dos cinco contos, a Trasgo conta também com uma galeria de imagens, que muda a cada edição. Dessa vez o artista foi o Filipe Pagliuso, e você pode clicar aqui para conferir as obras dele para a revista.

E, por último, você pode enviar seu conto para a próxima edição da Trasgo. Para mais informações, clique aqui. Para ler/baixar a Trasgo, clique aqui.

Talvez, em um futuro distante, eu tente enviar um conto meu para a Trasgo, mas bem, primeiro eu preciso de uma ideia, né? Por enquanto vou me contentar em esperar as próximas edições.

Enfim, três estrelas para a edição piloto da Trasgo.

Resenha: Fios de Prata, Raphael Draccon

Fios de Prata
Raphael Draccon
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Mikael Santiago realizou o sonho de milhares de garotos. Aos 22 anos era o jogador brasileiro com o passe mais caro da história do futebol. Mas à noite os sonhos o amendrontavam. Às vezes, o que está por trás de um simples sonho – ou pesadelo – é muito maior que um desejo inconsciente. Há séculos, Madelein, atual madrinha das nove filhas de Zeus, tornou-se senhora de um condado no Sonhar, responsável por estimular os sonhos despertos dos mortais. Uma jogada ambiciosa que acaba por iniciar uma guerra épica envolvendo os três deuses Morpheus, Phantasos e Phobetor, traz desordem a todo o planeta Terra e ameaça os fios de prata de mais de sete bilhões de sonhadores terrestres. Envolvido em meio a sonhos lúcidos e viagens astrais perigosas, a busca de Mikael pelo espírito da mulher amada, entretanto, torna-se peça fundamental em meio a uma guerra onírica. E coloca a prova sua promessa de ir até o inferno por sua amada.

Li esse livro ano passado e já fiz uma resenha para meu tumblr há algum tempo, mas sinto que preciso de uma nova e mais detalhada agora. Plus, estou tão gripada que meus olhos ardem e respirar dói, e para completar coloquei aparelho ontem e no momento quero arrancar todos os meus dentes de tão nervosa que esse treco me faz ficar, com o bônus sendo que mal posso comer e isso está me levando lentamente à loucura/consideração de pensamentos assassinos. Então, sim, preciso extravasar toda a irritação que estou sentindo ou realmente acabarei matando alguém, esse alguém sendo muito provavelmente meu irmão, que vem reclamando de um bug em World of Warcraft no meu pé do ouvido desde domingo quando ele sabe muito bem que eu odeio World of Warcraft!!!!

Mas vamos ao que interessa.
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