Resenha: A Canção do Sangue, Anthony Ryan

A Canção do Sangue
A Sombra do Corvo #01
Anthony Ryan
Skoob
★★★★½

Quando Vaelin Al Sorna, um garoto de apenas 10 anos de idade, é deixado por seu pai na Casa da Sexta Ordem, ele é informado que sua única família agora é a Ordem. Durante vários anos ele é treinado de forma brutal e austera, além de ser condicionado a uma vida perigosa e celibatária. Mesmo assim, Vaelin resiste e torna-se líder entre seus irmãos. Ao longo de sua jornada, Vaelin também descobrirá de quem foi o verdadeiro desejo para que ele fosse entregue à Ordem o objetivo sempre foi protegê-lo, mas ele não tem ideia do quê. Aos poucos, indícios de uma esquecida Sétima Ordem e questões acerca das ações do Rei Janus fazem Vaelin Al Sorna questionar sua lealdade. Destinado a um futuro grandioso, ele ainda tem que compreender em quem confiar. Neste primeiro volume da trilogia A Sombra do Corvo, Anthony Ryan estreia de maneira promissora na literatura com uma aventura repleta de ação.

Faz uns bons 20 minutos que estou encarando a página de A Canção do Sangue no Goodreads, indecisa entre dar cinco ou quatro estrelas para esse livro. Já li outras resenhas, pensei sobre a história, a escrita e os personagens, encarei a página mais um pouquinho e refleti sobre os outros livros que já receberam essas notas altas de mim. Veja bem, esse ano só dei cinco estrelas para três livros. Seria, então, A Canção do Sangue o há muito esperado quarto?

Depois de pensar muito, decidi que não. Mas admito que ele chegou muito, muito perto.

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Resenha: Revista Trasgo #04

Revista Trasgo #04
Jessica Borges, Fred Oliveira, Mary C. Muller, Ademir Pascale, Érica Bombardi, Gerson Lodi-Ribeiro.
Editado por Rodrigo van Kampen e ilustrado por Edmar Nunes de Almeida.
Skoob
★★★★
Admito que essa edição da Trasgo não foi uma de minhas favoritas, por motivos que explicarei nas mini-resenhas dos contos. Mas, apesar de alguns tropeços relacionados às histórias (na minha opinião, claro), a qualidade da escrita ainda se mantém excelente e só isso já o suficiente para conquistar muitos pontinhos comigo. Então, sem mais delongas, minha opinião sobre os contos da quarta edição da Trasgo:
  • Rendição do Serviço de Guarda (Gerson Lodi-Ribeiro): esse conto tem uma qualidade ótima, mas não foi pra mim. Acho que a essa altura do campeonato vocês já devem saber que sou louca por literatura fantástica, então leio a Trasgo mais por histórias desse gênero, embora não recuse ficção científica na maior parte das vezes. Rendição do Serviço de Guarda é do tipo de ficção científica que não me agrada, provavelmente porque sou leiga demais no assunto (também não sou chegada a infodumps e tal), mas a escrita é no geral ótima e a ideia geral do conto (principalmente a questão no final) são bem interessantes. Fãs de ficção científica provavelmente vão gostar bem mais do que eu.
  • Vivo. Morto. X. (Érica Bombardi): conto com uma escrita excelente e uma história muito, muito boa. Seria meu preferido de toda a edição se não fosse um pequeno detalhe: piada de feminista sendo “sapata”. Algo completamente desnecessário, sem o menor peso para a história em si. Basicamente o tipo de coisa que eu quero ver extinta da literatura. Mas se você conseguir ignorar isso vai encontrar um conto maravilhoso, como eu já disse.
  • Isaac (Ademir Pascale): sei que estou me repetindo, mas escrita ótima e história interessante. O único defeito para mim foi o fato do conto ser muito curto; mal havia começado e puf, terminou. Acho que se tivesse um desenvolvimento maior o resultado final seria ainda melhor.
  • Estive assombrando seus sonhos (Mary C. Muller): esse conto foi bem divertido e fácil de se ler. A história é muito legal e os personagens também, e a escrita é leve, mas sem deixar de ter alguma profundidade. O tipo de conto que te deixa um pouquinho mais feliz ao chegar o final do que você estava antes de começá-lo.
  • Arca dos Sonhos (Fred Oliveira): apesar de ter gostado sim de Arca dos Sonhos, achei o conto um tiquinho parado demais, mas a escrita e a história acabam compensando. É ficção científica de novo, mais uma vez do tipo que me deixa um tanto cansada, mas isso não me incomodou muito durante a leitura não. No geral, um conto bom.
  • No Labirinto (Jessica Borges): meu favorito junto a Estive assombrando seus sonhos. Gostei da mistura de ideias e referências, e gostei de finalmente ver um personagem não-heterossexual na revista, mesmo sendo um secundário. E, além disso, a escrita é ótima. No Labirinto é um conto que vale muito a pena.

Quem fez as ilustrações da quarta edição da Trasgo foi Edmar Nunes de Almeida e você pode vê-las aqui. Achei as de dentro da revista bem mais legais do que a da capa, mas consigo ver porque esta foi escolhida.

Para mais informações sobre como enviar seu conto, clique aqui, e para baixar e/ou ler a Trasgo, clique aqui. Enfim, quatro estrelas para essa quarta edição.

Resenha: Revista Trasgo #03

Revista Trasgo #03
Gael Rodrigues, Roberto de Sousa Causo, Caroline Policarpo Veloso, Claudio Parreira, Tiago Cordeiro e Liége Báccaro Toledo.
Editado por Rodrigo van Kampen e ilustrado por Kelly Santos.
Skoob
★★★★★
Uma coisa que eu acho muito legal na Trasgo é o fato de que, até agora ao menos, a revista continua melhorando a cada edição. Lembro de quando li a primeira e, apesar de ter gostado, não cheguei a ficar muito impressionada não, e só li a segunda para dar mais uma chance à literatura de fantasia e sci-fi brasileira, já que um dia (em um futuro um tanto distante) quero fazer parte ativamente dela. Hoje fico muito feliz por tê-lo feito; amei a segunda e, apesar de ter enrolado muito para começar, também adorei a terceira. Abaixo está minhas opiniões sobre os contos dessa edição:

  • O Empacotador de Memórias (Gael Rodrigues): gostei muito desse conto, tanto pela escrita quanto pela história, que é contada de um modo bem diferente do usual (aliás, o próprio conteúdo já é bem original). Não vou falar muito sobre o enredo; basta dizer que O Empacotador de Memórias trata de temas sérios, mas possui uma narrativa leve e gostosa de se ler.
  • Rosas Brancas (Roberto de Sousa Causo): Rosas Brancas foi um conto interessante e bem escrito (apesar de alguns infodumps), que faz parte de um universo muito maior (se não me engano ele é o prólogo de um dos livros do autor). Apesar de não ser exatamente fã de ficção científica (eu gosto, mas gosto do mesmo jeito que gosto de distopia ou sobrenatural: só sendo muito bem-falado/intrigante pra que eu arranje coragem pra ler), esse foi um conto que conseguiu me prender. O final também foi ótimo.
  • Feita de um sonho (Caroline Policarpo Veloso): prestei um tantinho mais de atenção nesse conto porque a autora é bem nova (17 anos e trocentos contos publicados) (sim, eu me senti um lixinho ao saber disso também). No geral, foi um conto bem escrito (não sou fã de primeira pessoa, mas aqui ficou bom) e como eu adoro a temática de sonhos x realidade, a história me agradou bastante.
  • Invasão (Claudio Parreira): o ponto forte desse conto é justamente a voz do personagem principal, que é bem diferente do que vemos hoje em dia por aí. A escrita também é ótima, e apesar do conto não ser muito do meu estilo, foi uma leitura divertida.
  • Viral (Tiago Cordeiro): Viral, como o próprio nome pode indicar, é sobre zumbis (o que já não é nenhuma novidade), mas o autor conseguiu dar um toque de originalidade bem legal para a história que me agradou bastante. Novamente, a escrita é boa, e os personagens são bem caracterizados. O final meio amargo também fez a história ganhar alguns pontinhos comigo.
  • O Vento do Oeste (Liége Báccaro Toledo): provavelmente meu conto preferido dessa terceira edição junto a O Empacotador de Memórias. É de fantasia, mas uma fantasia bem diferente, baseada na cultura árabe, e a própria história também é bem interessante. Aparentemente a autora planeja escrever um livro a partir desse conto, o que me deixa animada. Faz tempo que não leio uma obra de fantasia nacional, e se a qualidade de O Vento do Oeste for mantida nesse outro projeto, tenho certeza de que adorarei o livro.

Meus contos favoritos, como já disse, foram O Empacotador de Memórias O Vento do Oeste. Quem fez as ilustrações dessa vez foi a Kelly Costa (foram as minhas preferidas até agora, falando nisso), e você pode checar o trabalho dela para a Trasgo aqui.

Para mais informações sobre como enviar seu conto, clique aqui, e para baixar e/ou ler a Trasgo, clique aqui. Enfim, cinco estrelas para a terceira edição.

Resenha: Revista Trasgo #02

Revista Trasgo #02
Ana Lúcia Merege, Victor Oliveira de Faria, Jim Anotsu, George Amaral, Albarus Andreos, Cristina Lasaitis.
Editado por Rodrigo van Kampen e ilustrado por Alex Leão.
Skoob
★★★★

Como o material da primeira edição no geral me agradou, resolvi me livrar da preguiça para conferir a segunda edição da revista Trasgo. Abaixo está minha opinião sobre os contos contidos nela.

(Para quem quiser ler a resenha da primeira edição, está aqui).

  • Rosas: escrito por Ana Lúcia Merege, Rosas foi um conto que me fez soltar um “wow” quando terminei de ler.  Não vou falar muito sobre a história em si porque é um conto bem curto e eu acabaria não passando a ideia dele muito bem (?). Enfim, foi uma escolha perfeita para abrir a edição; é bem escrito, bem pensado e o final te deixa realmente surpreso. Gostei de verdade.
  • Cinco bilhões: esse deu um nó no meu cérebro da primeira vez que li (talvez porque eu o fiz às quatro e meia da manhã, mas enfim), logo quando a segunda edição foi lançada. Depois de ler outra vez, hoje, as coisas começaram a fazer mais sentido (lol). No geral, eu gostei também; é bem escrito (os diálogos me incomodaram bem de leve, só um pouquinho mesmo) e a ideia, apesar de não ser do tipo que eu gosto, foi boa o suficiente para me manter entretida até o fim. Escrito por Victor Oliveira de Faria, Cinco bilhões é um conto de ficção científica que se passa, inicialmente, em um futuro distante em que a humanidade não existe mais como a conhecemos hoje e que o nosso sol – então chamado de Sol Vermelho – está cada vez mais próximo de seu fim.
  • Hamlet: Weird Pop: escrito por Jim Anotsu, Hamlet: Weird Pop acabou me conquistando pelo estilo da escrita (que me agradou bastante, de verdade) e pelo enredo no mínimo inusitado. Viola Wright é uma jovem diretora prestes a estrear sua peça, uma adaptação meio diferente de Hamlet (até música do Simple Plan tocaria nessa adaptação, para vocês terem uma ideia), quando recebe a visita de um advogado do além. Segundo ele (um duende, aliás), Shakespeare não quer que ela mexa em sua peça. O desenrolar da conversa entre os dois é bem divertido, e o final também vale a pena.
  • Código Fonte: escrito por George Amaral, Código Fonte, assim como Rosas, me deixou surpresa no final. Também se passa no futuro, embora em um não tão distante assim, e trata de um dos temas preferidos de muitas histórias por aí: o envelhecimento e a imortalidade. O que me agradou mais nesse conto foi justamente o plot twist do final; houve um momento em que achei já ter descoberto o que aconteceria, mas então puf, a história deu uma reviravolta e me provou errada. Houve um pouquinho de infodump, mas nada grave. A escrita também foi ótima.
  • A Maldição das Borboletas Negras: esse foi um conto que realmente me divertiu. É interessante por causa da narrativa diferente, bem brasileira mesmo, embora seja também meio mórbido, e traz personagens e situações bem únicos. Me lembrou um pouco Rosas, não por seus enredos (são total e completamente diferentes), mas sim pela capacidade, por assim dizer, de realmente fazer o leitor se esquecer do mundo durante a leitura. Escrito por Albarus Andreos.
  • O Homem Atômico: último conto da segunda edição, foi escrito por Cristina Lasaitis. Bem divertido também, conta a história de um mendigo de São Paulo que dizia ser um cientista da época da ditadura e ter trabalhado em um programa nuclear brasileiro antes de ser exilado por saber demais sobre tal programa. Novamente, a escrita/narrativa se destaca e o final conclui com satisfação a história.

Na primeira edição da Trasgo foi até fácil escolher meu favorito, mas nessa admito que fico indecisa entre Rosas, O Homem Atômico e A Maldição das Borboletas Negras, embora todos os cinco contos sejam muito bons.

O artista dessa edição foi Alex Leão. Você pode conferir seu trabalho aqui.

Para mais informações sobre como enviar seu conto, clique aqui, e para baixar e/ou ler a Trasgo, clique aqui. Enfim, quatro estrelas para a segunda edição!

Resenha: Revista Trasgo #01

Revista Trasgo #01
Hális Alves, Karen Alvares, Marcelo Porto, Claudia Dugim e Melissa de Sá.
Editado por Rodrigo van Kampen e ilustrado por Felipe Pagliuso.
Skoob
★★★
A Revista Trasgo é a mais nova revista de contos de fantasia e ficção científica brasileira. De graça (pelo menos por enquanto) e digital, fica bem fácil colocar no celular e ler sempre que aparecer um tempinho livre. E, bem, foi isso que eu fiz.A Trasgo é composta por cinco contos, todos de temas diferentes (dentro, é claro, dos gêneros de fantasia e ficção científica). Abaixo está minha opinião sobre cada um deles.

  • Ventania: escrito por Hális Alves, Ventania é um conto distópico que se passa no litoral nordestino. Não quero falar muito do enredo para não estragar a história, mas eu gostei bastante do worldbuilding feito pelo autor para esse conto. A coisa toda ficou verossímil e bem estruturada, o que me deixou confortável para seguir com a leitura sem trancos ou barrancos. As únicas coisas que me incomodaram foi: 1) o final ficou um pouco corrido; Ventania se daria melhor como uma curta do que como um conto e 2) diálogos me incomodaram em alguns momentos, mas nada grave. De resto, está muito bom.
  • Azul: quem me conhece sabe que sou meio medrosa e fujo de qualquer coisa que envolva terror, mas o conto escrito por Karen Alvares me conquistou pela ideia original. Mais uma vez o final ficou meio corrido, mas a ideia foi tão boa que isso nem incomodou muito. Azul conta a história de Nora, que tem um encontro macabro ao voltar para casa
  • Náufrago: outro conto ambientado no nordeste (dessa vez na minha cidade, Salvador), escrito por Marcelo Porto, conta a história de Diogo, um homem que acaba no meio de uma enorme confusão no tempo enquanto atravessava a Baía de Todos os Santos a trabalho. Conto no geral bom; a escrita/os diálogos me incomodaram várias vezes, mas eu gostei.
  • Gente é tão bom: sinceramente não sei o que dizer desse conto. Acredito que seja uma espécie de crítica a nossa sociedade consumista de produtos industrializados, mas acho que a coisa toda ficou corrida demais para ter um bom efeito. No geral, regular. Escrito por Claudia Dugim.
  • A Torre e o Dragão: melhor conto dessa edição. Sinceramente, eu o adorei. Adorei tudo, desde a escrita até o enredo. Perfeito, sem mais. Se a autora, Melissa de Sá, fizesse um livro com esse plot eu compraria sem pensar duas vezes. O final foi muito bom, (e sim, agora vou dar uma stalkeada básica na escritora pra ver se acho mais trabalhos dela).

Além dos cinco contos, a Trasgo conta também com uma galeria de imagens, que muda a cada edição. Dessa vez o artista foi o Filipe Pagliuso, e você pode clicar aqui para conferir as obras dele para a revista.

E, por último, você pode enviar seu conto para a próxima edição da Trasgo. Para mais informações, clique aqui. Para ler/baixar a Trasgo, clique aqui.

Talvez, em um futuro distante, eu tente enviar um conto meu para a Trasgo, mas bem, primeiro eu preciso de uma ideia, né? Por enquanto vou me contentar em esperar as próximas edições.

Enfim, três estrelas para a edição piloto da Trasgo.

Resenha: O Filho de Netuno, Rick Riordan

O Filho de Netuno
Os Heróis do Olimpo #02
Rick Riordan
Skoob
★★★

A vida de Percy Jackson é assim mesmo: uma grande bagunça de deuses e monstros que, na maioria das vezes, acaba em problemas. Filho de Poseidon, o deus do mar, um belo dia ele acorda de um longo sono e não sabe muito mais do que o seu próprio nome. Mesmo quando a loba Lupa lhe conta que ele é um semideus e o treina para lutar usando a caneta/espada que carrega no bolso, sua mente continua nebulosa. De alguma forma, Percy consegue chegar a um acampamento de semideuses, mas o lugar não o ajuda a recobrar qualquer lembrança. A única coisa que consegue recordar é outro nome: Annabeth. Com seus novos amigos, Hazel e Frank, Percy descobre que o deus da morte, Tânatos, está aprisionado e que Gaia pretende reunir um exército de gigantes para dominar o mundo e reescrever as regras da vida e da morte. Juntos, os três embarcam em uma missão aparentemente impossível rumo ao Alasca, uma terra além do controle dos deuses, para cumprir seus papéis na misteriosa Profecia dos Sete. Se falharem, as consequências, é claro, serão desastrosas.Meu problema com esse livro tem um nome. Ou melhor, dois: Hazel e Frank.

Eles me irritaram durante o livro inteiro e foram praticamente a maior causa de eu ter demorado tanto tempo para terminá-lo. Mas eu só vim perceber o porquê de eles terem me frustrado tanto hoje, umas cem páginas antes do fim da história, e esse motivo é muito simples: angst demais.

Não me entenda errado; eu adoro um bom angst, de verdade, mas só quando o plot e os personagens me convencem de que a quantidade de angst presente na história é a certa. E isso não aconteceu em O Filho de Netuno. No início sim, me senti mal pelas coisas que a Hazel foi obrigada a fazer e entendi bem os problemas de auto-estima do Frank, mas depois de um tempo eu mal podia ler um capítulo deles sem revirar os olhos. Eles reclamam demais, de si mesmos, da vida, dos deuses e de qualquer outra coisa que se mova. O livro inteiro foi uma festa de auto-piedade protagonizada pelos dois.

E o romance entre eles… Ew. Ew ew ew ew. Não. Sério. O angst exagerado de ambos os personagens estragou o pseudo-romance. Perdi a conta de quantas vezes revirei os olhos com Frank ficando >toda hora< preocupado com a ideia de que Hazel jamais iria gostar dele após ele fazer alguma coisa (essa alguma coisa geralmente sendo relacionada com salvar a vida deles??? Hã????) ou com a Hazel lamentando o fato do Frank ser uma pessoa tão boa que jamais aceitaria ficar com ela, que já fez tanta coisa errada. Bleh.

Frank e Hazel fizeram com que eu sentisse saudades da Piper e de todo o seu drama sobre ser linda. Então sim, as partes dos dois foram muito cheias de mimimi pra mim.

Mas não temam, pois Percy está nesse livro e seus capítulos compensam as lamentações de Hazel/Frank. Que os deuses sejam louvados. Amém.

E, é claro, temos o Nico e o acampamento romano que, como eu já disse em resenhas anteriores, é meu favorito. E a própria história é ótima também; Hazel e Frank foram o que realmente me impediu de gostar dela como eu deveria. Fora isso, o final é um pouco corrido, mas né, isso às vezes acontece com os livros do Riordan mesmo. Depois de ler os cinco de PJO e esses dois de HOO em sequência já estou pra lá de acostumada.

De qualquer forma, O Filho de Netuno fica só com 3.0 estrelas.

Resenha: Fios de Prata, Raphael Draccon

Fios de Prata
Raphael Draccon
Skoob

Mikael Santiago realizou o sonho de milhares de garotos. Aos 22 anos era o jogador brasileiro com o passe mais caro da história do futebol. Mas à noite os sonhos o amendrontavam. Às vezes, o que está por trás de um simples sonho – ou pesadelo – é muito maior que um desejo inconsciente. Há séculos, Madelein, atual madrinha das nove filhas de Zeus, tornou-se senhora de um condado no Sonhar, responsável por estimular os sonhos despertos dos mortais. Uma jogada ambiciosa que acaba por iniciar uma guerra épica envolvendo os três deuses Morpheus, Phantasos e Phobetor, traz desordem a todo o planeta Terra e ameaça os fios de prata de mais de sete bilhões de sonhadores terrestres. Envolvido em meio a sonhos lúcidos e viagens astrais perigosas, a busca de Mikael pelo espírito da mulher amada, entretanto, torna-se peça fundamental em meio a uma guerra onírica. E coloca a prova sua promessa de ir até o inferno por sua amada.

Li esse livro ano passado e já fiz uma resenha para meu tumblr há algum tempo, mas sinto que preciso de uma nova e mais detalhada agora. Plus, estou tão gripada que meus olhos ardem e respirar dói, e para completar coloquei aparelho ontem e no momento quero arrancar todos os meus dentes de tão nervosa que esse treco me faz ficar, com o bônus sendo que mal posso comer e isso está me levando lentamente à loucura/consideração de pensamentos assassinos. Então, sim, preciso extravasar toda a irritação que estou sentindo ou realmente acabarei matando alguém, esse alguém sendo muito provavelmente meu irmão, que vem reclamando de um bug em World of Warcraft no meu pé do ouvido desde domingo quando ele sabe muito bem que eu odeio World of Warcraft!!!!

Mas vamos ao que interessa.
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Resenha: O Herói Perdido, Rick Riordan

O Herói Perdido
Os Heróis do Olimpo #01
Rick Riordan
Skoob
★★★★

Novos e conhecidos personagens do Acampamento Meio-Sangue dividem espaço nesse primeiro volume da série Os heróis do Olimpo. Rick Riordan volta ao universo de Percy Jackson e os Olimpianos com ainda mais aventuras, humor e mistério. Depois de salvar o Olimpo do maligno titã Cronos, Percy Jackson e seus amigos trabalharam duro para reconstruir seu mais querido refúgio, o Acampamento Meio-Sangue. É lá que a próxima geração de semideuses terá de se preparar para enfrentar uma nova e aterrorizante profecia. Os campistas seguirão firmes na inevitável jornada, mas, para sobreviver, precisarão contar com a ajuda de alguns heróis, digamos, um pouco mais experientes – semideuses dos quais todos já ouvimos falar… e muito.

Como eu não cansei de dizer em minhas resenhas de Percy Jackson e os Olimpianos, eu gosto muito mais de Os Heróis do Olimpo do que da primeira série. E os motivos são bem simples.Para começar, a escrita é melhor. Não é mais em primeira pessoa e sim em terceira (o que eu prefiro, apesar de adorar a narração do Percy em PJO), e é bem mais sólida e até mesmo mais descritiva. Achei bem mais fácil “mergulhar” na história aqui em O Herói Perdido do que em qualquer livro da primeira série, e acredito que a escrita seja a responsável por isso. E, é claro, os personagens secundários (que não são tão secundários assim, para falar a verdade) são bem mais explorados, já que não estamos presos somente no ponto de vista de Percy.

Segundo, bem, HOO é uma série young adult enquanto PJO é middle-grade. Ou seja, tudo (personagens, escrita, etc) é mais maduro e vários temas são tratados com mais seriedade, apesar da história ainda manter aquele ar meio “wtf” que PJO sempre teve. HOO é o tipo certo de série spin-off, já que leva em conta o fato de que quem cresceu lendo PJO, bem, cresceu, sabe. Eu mesma comecei a ler PJO logo após o primeiro filme ser lançado, lá em 2010, quando tinha uns 14 anos, então não posso dizer que cresci lendo PJO (ou HP, falando nisso), mas bem, o que leio hoje em dia não corresponde mais ao que eu lia 2010 (well, na verdade corresponde para o horror dos meus pais, mas acho que hoje em dia sou bem mais crítica, embora continue lendo basicamente os mesmos gêneros). Nessa releitura que fiz de PJO acabei percebendo que não me diverti tanto quanto tinha me divertido das outras três ou quatro vezes em que li a série, e acho que só posso culpar o tempo e a quantidade de livros que li nos últimos anos, que me fizeram ficar bem mais chata e exigente. Sim, eu sei que estou dando voltas e mais voltas, mas o fato é: HOO é um bom spin-off porque leva em conta que seus leitores cresceram e/ou estão mais exigentes, então a série, pelo menos aqui no primeiro livro, entrega mais do que a gente já conhece – semideuses, monstros, deuses prestes a serem derrotatos, etc, etc, – em um tom diferente e menos infantil que acredito ser ideal para seu público alvo. Pontos para o Riordan por isso.

Terceiro, eu adoro a ideia de gregos x romanos. Não vou falar muito para não dar spoiler, mas eu adoro os romanos. Ok, aqui no primeiro livro eles não aparecem muito, mas como já li o segundo (estou até relendo-o agora) posso afirmar com 100% de convicção que três gregos não valem um romano, yay. Plus o plano de Hera é bem interessante e eu mal posso esperar para ver como ele se desenrola nos próximos livros.

Mas nem tudo são flores (infelizmente). Perdi a conta do número de vezes em que revirei os olhos ao ler a Piper chafurdando em angst por ser linda (ô, tristeza, gente. Que tragédia. Pobre garota, tsk tsk) ou ao ver mais uma pessoa sendo um pé no saco com os filhos de Afrodite por eles serem vaidosos ou ao perceber que Riordan os retrata como semi-inúteis fúteis desde a primeira série justamente por eles aparentemente não servirem para mais nada além de se olharem no espelho. As únicas que fogem esse estereótipo são a Silena, que era uma traidora e morreu no último livro de PJO, e a própria Piper, que, surpresa!, acha que ser linda é equivalente a ser um cavaleiro do apocalipse. Há alguns indícios de que esse estereótipo cairá por terra nos próximos volumes, mas enquanto isso permanecerei aqui bocejando toda vez que alguém nessa série for visto como inferior por se importar com a aparência. Bleh.

Mas, no geral, O Herói Perdido é um livro ótimo. O ritmo é bom, os personagens também, a escrita tem qualidade e o final não é fácil demais como em O Ladrão de Raios. Então, né, 4.0 estrelas.

Resenha: Luck in the Shadows, Lynn Flewelling

Luck in the Shadows
Nightrunner #01
Lynn Flewelling
Skoob
★★★★☆

Quando o jovem Alec de Kerry é feito prisioneiro por um crime que não cometeu, ele tem certeza de que sua vida está chegando ao fim. Mas uma coisa que ele jamais esperava era seu companheiro de cela. Espião, ladino, ladrão e nobre, Seregil de Rhiminee é muitas coisas – e nenhuma delas é previsível. E quando ele oferece tomar Alec como seu aprendiz, muitas coisas podem nunca mais ser as mesmas para ambos. Logo Alec se vê viajando por estradas que ele nunca soube que existia, em direção a uma guerra que ele nunca suspeitou estar se aproximando. Em pouco tempo ele e Seregil acabam entranhados em uma trama sinistra que corre mais fundo do que eles podem imaginar, e que pode custá-los muito mais do que suas vidas se ambos falharem. Mas a fortuna é tão imprevisível quanto o novo mestre de Alec e dessa vez pode apenas ser… Sorte nas Sombras.

Eu estava em dúvida entre dar 3.5 ou 4 estrelas para esse livro, mas o fato de eu ter o terminado após penar para acabar O Poder da Espada me fez perceber algumas qualidades da história e dos personagens que antes eu não tinha notado. Então sim, Luck in the Shadows merece e muito essas quatro estrelas.

Vou monologar um tanto mais nessa resenha, então paciência comigo, certo? Certo.

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Resenha: O Poder da Espada, Joe Abercrombie

O Poder da Espada
A Primeira Lei #01
Joe Abercrobie
Skoob
★★☆☆☆

Sand dan Glokta é um carrasco implacável a serviço da Inquisição de Sua Majestade. Nas mãos dele, os supostos traidores da Coroa admitem crimes, apontam comparsas e assinam confissões – sejam eles culpados ou não. Por ironia, Glokta é um ex-prisioneiro de guerra que passou dois anos sob tortura.

Mas isso nunca teria acontecido se dependesse de Logen Nove Dedos. Ele jamais deixaria um inimigo viver tanto tempo. Só que isso foi antes. Agora ele está decidido a mudar. Não quer ser lembrado apenas por seus feitos cruéis e pelos muitos inimigos que se alegrarão com sua morte.

Já a felicidade do jovem e mulherengo Jezal dan Luthar seria alcançar fama e glória vencendo o Campeonato de esgrima, para depois ser recompensado com um alto cargo no governo que lhe permitisse jamais ter um dia de trabalho pesado na vida. Mas há uma guerra iminente e ele pode ser convocado a qualquer momento. Luthar sabe que, nos campos do Norte gelado, o embate segue regras muito menos civilizadas que as do esporte.

Enquanto a União mobiliza seus exércitos para combater os inimigos externos, internamente se formam conspirações sanguinárias e um homem se apresenta como o lendário Bayaz, o Primeiro dos Magos, retornando do exílio depois de séculos. Quem quer que ele seja, sua presença tornará as vidas de Glokta, Jezal e Logen muito mais difíceis. Agora a linha que separa o herói do vilão pode ficar tênue demais.

Esse livro estava acumulando pó aqui em casa há quase um ano. Lembro de tê-lo comprado porque falavam muito bem dele e do escritor, o Abercrombie. Aliás, eu via “Abercrombie” sendo citado a torto e a direito como praticamente um gênero novo: uma fantasia mais realista, sombria e tão crua que fazia alguns leitores se sentirem até desconfortáveis. Quando o comecei a ler, porém, há alguns meses atrás, não passei da página 150 e o coloquei de lado por outro livro qualquer. Não foi exatamente porque o achei ruim (lembro-me de ter até mencionado para vocês aqui [do tumblr, já que o blog foi criado bem depois dessa época] que não o tinha achado ruim, mas que também não tinha me sentido muito disposta a continuar), então resolvi dar a Abercrombie uma nova chance de me mostrar essa fantasia sombria e, segundo muitos, maravilhosa.

Dessa vez não precisei nem chegar à página 100 para perceber que meu santo provavelmente não bate com o do Abercrombie.
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