Resenha: Revista Trasgo #04

Revista Trasgo #04
Jessica Borges, Fred Oliveira, Mary C. Muller, Ademir Pascale, Érica Bombardi, Gerson Lodi-Ribeiro.
Editado por Rodrigo van Kampen e ilustrado por Edmar Nunes de Almeida.
Skoob
★★★★
Admito que essa edição da Trasgo não foi uma de minhas favoritas, por motivos que explicarei nas mini-resenhas dos contos. Mas, apesar de alguns tropeços relacionados às histórias (na minha opinião, claro), a qualidade da escrita ainda se mantém excelente e só isso já o suficiente para conquistar muitos pontinhos comigo. Então, sem mais delongas, minha opinião sobre os contos da quarta edição da Trasgo:
  • Rendição do Serviço de Guarda (Gerson Lodi-Ribeiro): esse conto tem uma qualidade ótima, mas não foi pra mim. Acho que a essa altura do campeonato vocês já devem saber que sou louca por literatura fantástica, então leio a Trasgo mais por histórias desse gênero, embora não recuse ficção científica na maior parte das vezes. Rendição do Serviço de Guarda é do tipo de ficção científica que não me agrada, provavelmente porque sou leiga demais no assunto (também não sou chegada a infodumps e tal), mas a escrita é no geral ótima e a ideia geral do conto (principalmente a questão no final) são bem interessantes. Fãs de ficção científica provavelmente vão gostar bem mais do que eu.
  • Vivo. Morto. X. (Érica Bombardi): conto com uma escrita excelente e uma história muito, muito boa. Seria meu preferido de toda a edição se não fosse um pequeno detalhe: piada de feminista sendo “sapata”. Algo completamente desnecessário, sem o menor peso para a história em si. Basicamente o tipo de coisa que eu quero ver extinta da literatura. Mas se você conseguir ignorar isso vai encontrar um conto maravilhoso, como eu já disse.
  • Isaac (Ademir Pascale): sei que estou me repetindo, mas escrita ótima e história interessante. O único defeito para mim foi o fato do conto ser muito curto; mal havia começado e puf, terminou. Acho que se tivesse um desenvolvimento maior o resultado final seria ainda melhor.
  • Estive assombrando seus sonhos (Mary C. Muller): esse conto foi bem divertido e fácil de se ler. A história é muito legal e os personagens também, e a escrita é leve, mas sem deixar de ter alguma profundidade. O tipo de conto que te deixa um pouquinho mais feliz ao chegar o final do que você estava antes de começá-lo.
  • Arca dos Sonhos (Fred Oliveira): apesar de ter gostado sim de Arca dos Sonhos, achei o conto um tiquinho parado demais, mas a escrita e a história acabam compensando. É ficção científica de novo, mais uma vez do tipo que me deixa um tanto cansada, mas isso não me incomodou muito durante a leitura não. No geral, um conto bom.
  • No Labirinto (Jessica Borges): meu favorito junto a Estive assombrando seus sonhos. Gostei da mistura de ideias e referências, e gostei de finalmente ver um personagem não-heterossexual na revista, mesmo sendo um secundário. E, além disso, a escrita é ótima. No Labirinto é um conto que vale muito a pena.

Quem fez as ilustrações da quarta edição da Trasgo foi Edmar Nunes de Almeida e você pode vê-las aqui. Achei as de dentro da revista bem mais legais do que a da capa, mas consigo ver porque esta foi escolhida.

Para mais informações sobre como enviar seu conto, clique aqui, e para baixar e/ou ler a Trasgo, clique aqui. Enfim, quatro estrelas para essa quarta edição.

Resenha: Revista Trasgo #03

Revista Trasgo #03
Gael Rodrigues, Roberto de Sousa Causo, Caroline Policarpo Veloso, Claudio Parreira, Tiago Cordeiro e Liége Báccaro Toledo.
Editado por Rodrigo van Kampen e ilustrado por Kelly Santos.
Skoob
★★★★★
Uma coisa que eu acho muito legal na Trasgo é o fato de que, até agora ao menos, a revista continua melhorando a cada edição. Lembro de quando li a primeira e, apesar de ter gostado, não cheguei a ficar muito impressionada não, e só li a segunda para dar mais uma chance à literatura de fantasia e sci-fi brasileira, já que um dia (em um futuro um tanto distante) quero fazer parte ativamente dela. Hoje fico muito feliz por tê-lo feito; amei a segunda e, apesar de ter enrolado muito para começar, também adorei a terceira. Abaixo está minhas opiniões sobre os contos dessa edição:

  • O Empacotador de Memórias (Gael Rodrigues): gostei muito desse conto, tanto pela escrita quanto pela história, que é contada de um modo bem diferente do usual (aliás, o próprio conteúdo já é bem original). Não vou falar muito sobre o enredo; basta dizer que O Empacotador de Memórias trata de temas sérios, mas possui uma narrativa leve e gostosa de se ler.
  • Rosas Brancas (Roberto de Sousa Causo): Rosas Brancas foi um conto interessante e bem escrito (apesar de alguns infodumps), que faz parte de um universo muito maior (se não me engano ele é o prólogo de um dos livros do autor). Apesar de não ser exatamente fã de ficção científica (eu gosto, mas gosto do mesmo jeito que gosto de distopia ou sobrenatural: só sendo muito bem-falado/intrigante pra que eu arranje coragem pra ler), esse foi um conto que conseguiu me prender. O final também foi ótimo.
  • Feita de um sonho (Caroline Policarpo Veloso): prestei um tantinho mais de atenção nesse conto porque a autora é bem nova (17 anos e trocentos contos publicados) (sim, eu me senti um lixinho ao saber disso também). No geral, foi um conto bem escrito (não sou fã de primeira pessoa, mas aqui ficou bom) e como eu adoro a temática de sonhos x realidade, a história me agradou bastante.
  • Invasão (Claudio Parreira): o ponto forte desse conto é justamente a voz do personagem principal, que é bem diferente do que vemos hoje em dia por aí. A escrita também é ótima, e apesar do conto não ser muito do meu estilo, foi uma leitura divertida.
  • Viral (Tiago Cordeiro): Viral, como o próprio nome pode indicar, é sobre zumbis (o que já não é nenhuma novidade), mas o autor conseguiu dar um toque de originalidade bem legal para a história que me agradou bastante. Novamente, a escrita é boa, e os personagens são bem caracterizados. O final meio amargo também fez a história ganhar alguns pontinhos comigo.
  • O Vento do Oeste (Liége Báccaro Toledo): provavelmente meu conto preferido dessa terceira edição junto a O Empacotador de Memórias. É de fantasia, mas uma fantasia bem diferente, baseada na cultura árabe, e a própria história também é bem interessante. Aparentemente a autora planeja escrever um livro a partir desse conto, o que me deixa animada. Faz tempo que não leio uma obra de fantasia nacional, e se a qualidade de O Vento do Oeste for mantida nesse outro projeto, tenho certeza de que adorarei o livro.

Meus contos favoritos, como já disse, foram O Empacotador de Memórias O Vento do Oeste. Quem fez as ilustrações dessa vez foi a Kelly Costa (foram as minhas preferidas até agora, falando nisso), e você pode checar o trabalho dela para a Trasgo aqui.

Para mais informações sobre como enviar seu conto, clique aqui, e para baixar e/ou ler a Trasgo, clique aqui. Enfim, cinco estrelas para a terceira edição.

Resenha: Revista Trasgo #02

Revista Trasgo #02
Ana Lúcia Merege, Victor Oliveira de Faria, Jim Anotsu, George Amaral, Albarus Andreos, Cristina Lasaitis.
Editado por Rodrigo van Kampen e ilustrado por Alex Leão.
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★★★★

Como o material da primeira edição no geral me agradou, resolvi me livrar da preguiça para conferir a segunda edição da revista Trasgo. Abaixo está minha opinião sobre os contos contidos nela.

(Para quem quiser ler a resenha da primeira edição, está aqui).

  • Rosas: escrito por Ana Lúcia Merege, Rosas foi um conto que me fez soltar um “wow” quando terminei de ler.  Não vou falar muito sobre a história em si porque é um conto bem curto e eu acabaria não passando a ideia dele muito bem (?). Enfim, foi uma escolha perfeita para abrir a edição; é bem escrito, bem pensado e o final te deixa realmente surpreso. Gostei de verdade.
  • Cinco bilhões: esse deu um nó no meu cérebro da primeira vez que li (talvez porque eu o fiz às quatro e meia da manhã, mas enfim), logo quando a segunda edição foi lançada. Depois de ler outra vez, hoje, as coisas começaram a fazer mais sentido (lol). No geral, eu gostei também; é bem escrito (os diálogos me incomodaram bem de leve, só um pouquinho mesmo) e a ideia, apesar de não ser do tipo que eu gosto, foi boa o suficiente para me manter entretida até o fim. Escrito por Victor Oliveira de Faria, Cinco bilhões é um conto de ficção científica que se passa, inicialmente, em um futuro distante em que a humanidade não existe mais como a conhecemos hoje e que o nosso sol – então chamado de Sol Vermelho – está cada vez mais próximo de seu fim.
  • Hamlet: Weird Pop: escrito por Jim Anotsu, Hamlet: Weird Pop acabou me conquistando pelo estilo da escrita (que me agradou bastante, de verdade) e pelo enredo no mínimo inusitado. Viola Wright é uma jovem diretora prestes a estrear sua peça, uma adaptação meio diferente de Hamlet (até música do Simple Plan tocaria nessa adaptação, para vocês terem uma ideia), quando recebe a visita de um advogado do além. Segundo ele (um duende, aliás), Shakespeare não quer que ela mexa em sua peça. O desenrolar da conversa entre os dois é bem divertido, e o final também vale a pena.
  • Código Fonte: escrito por George Amaral, Código Fonte, assim como Rosas, me deixou surpresa no final. Também se passa no futuro, embora em um não tão distante assim, e trata de um dos temas preferidos de muitas histórias por aí: o envelhecimento e a imortalidade. O que me agradou mais nesse conto foi justamente o plot twist do final; houve um momento em que achei já ter descoberto o que aconteceria, mas então puf, a história deu uma reviravolta e me provou errada. Houve um pouquinho de infodump, mas nada grave. A escrita também foi ótima.
  • A Maldição das Borboletas Negras: esse foi um conto que realmente me divertiu. É interessante por causa da narrativa diferente, bem brasileira mesmo, embora seja também meio mórbido, e traz personagens e situações bem únicos. Me lembrou um pouco Rosas, não por seus enredos (são total e completamente diferentes), mas sim pela capacidade, por assim dizer, de realmente fazer o leitor se esquecer do mundo durante a leitura. Escrito por Albarus Andreos.
  • O Homem Atômico: último conto da segunda edição, foi escrito por Cristina Lasaitis. Bem divertido também, conta a história de um mendigo de São Paulo que dizia ser um cientista da época da ditadura e ter trabalhado em um programa nuclear brasileiro antes de ser exilado por saber demais sobre tal programa. Novamente, a escrita/narrativa se destaca e o final conclui com satisfação a história.

Na primeira edição da Trasgo foi até fácil escolher meu favorito, mas nessa admito que fico indecisa entre Rosas, O Homem Atômico e A Maldição das Borboletas Negras, embora todos os cinco contos sejam muito bons.

O artista dessa edição foi Alex Leão. Você pode conferir seu trabalho aqui.

Para mais informações sobre como enviar seu conto, clique aqui, e para baixar e/ou ler a Trasgo, clique aqui. Enfim, quatro estrelas para a segunda edição!

Resenha: Revista Trasgo #01

Revista Trasgo #01
Hális Alves, Karen Alvares, Marcelo Porto, Claudia Dugim e Melissa de Sá.
Editado por Rodrigo van Kampen e ilustrado por Felipe Pagliuso.
Skoob
★★★
A Revista Trasgo é a mais nova revista de contos de fantasia e ficção científica brasileira. De graça (pelo menos por enquanto) e digital, fica bem fácil colocar no celular e ler sempre que aparecer um tempinho livre. E, bem, foi isso que eu fiz.A Trasgo é composta por cinco contos, todos de temas diferentes (dentro, é claro, dos gêneros de fantasia e ficção científica). Abaixo está minha opinião sobre cada um deles.

  • Ventania: escrito por Hális Alves, Ventania é um conto distópico que se passa no litoral nordestino. Não quero falar muito do enredo para não estragar a história, mas eu gostei bastante do worldbuilding feito pelo autor para esse conto. A coisa toda ficou verossímil e bem estruturada, o que me deixou confortável para seguir com a leitura sem trancos ou barrancos. As únicas coisas que me incomodaram foi: 1) o final ficou um pouco corrido; Ventania se daria melhor como uma curta do que como um conto e 2) diálogos me incomodaram em alguns momentos, mas nada grave. De resto, está muito bom.
  • Azul: quem me conhece sabe que sou meio medrosa e fujo de qualquer coisa que envolva terror, mas o conto escrito por Karen Alvares me conquistou pela ideia original. Mais uma vez o final ficou meio corrido, mas a ideia foi tão boa que isso nem incomodou muito. Azul conta a história de Nora, que tem um encontro macabro ao voltar para casa
  • Náufrago: outro conto ambientado no nordeste (dessa vez na minha cidade, Salvador), escrito por Marcelo Porto, conta a história de Diogo, um homem que acaba no meio de uma enorme confusão no tempo enquanto atravessava a Baía de Todos os Santos a trabalho. Conto no geral bom; a escrita/os diálogos me incomodaram várias vezes, mas eu gostei.
  • Gente é tão bom: sinceramente não sei o que dizer desse conto. Acredito que seja uma espécie de crítica a nossa sociedade consumista de produtos industrializados, mas acho que a coisa toda ficou corrida demais para ter um bom efeito. No geral, regular. Escrito por Claudia Dugim.
  • A Torre e o Dragão: melhor conto dessa edição. Sinceramente, eu o adorei. Adorei tudo, desde a escrita até o enredo. Perfeito, sem mais. Se a autora, Melissa de Sá, fizesse um livro com esse plot eu compraria sem pensar duas vezes. O final foi muito bom, (e sim, agora vou dar uma stalkeada básica na escritora pra ver se acho mais trabalhos dela).

Além dos cinco contos, a Trasgo conta também com uma galeria de imagens, que muda a cada edição. Dessa vez o artista foi o Filipe Pagliuso, e você pode clicar aqui para conferir as obras dele para a revista.

E, por último, você pode enviar seu conto para a próxima edição da Trasgo. Para mais informações, clique aqui. Para ler/baixar a Trasgo, clique aqui.

Talvez, em um futuro distante, eu tente enviar um conto meu para a Trasgo, mas bem, primeiro eu preciso de uma ideia, né? Por enquanto vou me contentar em esperar as próximas edições.

Enfim, três estrelas para a edição piloto da Trasgo.