Resenha: O Herói Perdido, Rick Riordan

O Herói Perdido
Os Heróis do Olimpo #01
Rick Riordan
Skoob
★★★★

Novos e conhecidos personagens do Acampamento Meio-Sangue dividem espaço nesse primeiro volume da série Os heróis do Olimpo. Rick Riordan volta ao universo de Percy Jackson e os Olimpianos com ainda mais aventuras, humor e mistério. Depois de salvar o Olimpo do maligno titã Cronos, Percy Jackson e seus amigos trabalharam duro para reconstruir seu mais querido refúgio, o Acampamento Meio-Sangue. É lá que a próxima geração de semideuses terá de se preparar para enfrentar uma nova e aterrorizante profecia. Os campistas seguirão firmes na inevitável jornada, mas, para sobreviver, precisarão contar com a ajuda de alguns heróis, digamos, um pouco mais experientes – semideuses dos quais todos já ouvimos falar… e muito.

Como eu não cansei de dizer em minhas resenhas de Percy Jackson e os Olimpianos, eu gosto muito mais de Os Heróis do Olimpo do que da primeira série. E os motivos são bem simples.Para começar, a escrita é melhor. Não é mais em primeira pessoa e sim em terceira (o que eu prefiro, apesar de adorar a narração do Percy em PJO), e é bem mais sólida e até mesmo mais descritiva. Achei bem mais fácil “mergulhar” na história aqui em O Herói Perdido do que em qualquer livro da primeira série, e acredito que a escrita seja a responsável por isso. E, é claro, os personagens secundários (que não são tão secundários assim, para falar a verdade) são bem mais explorados, já que não estamos presos somente no ponto de vista de Percy.

Segundo, bem, HOO é uma série young adult enquanto PJO é middle-grade. Ou seja, tudo (personagens, escrita, etc) é mais maduro e vários temas são tratados com mais seriedade, apesar da história ainda manter aquele ar meio “wtf” que PJO sempre teve. HOO é o tipo certo de série spin-off, já que leva em conta o fato de que quem cresceu lendo PJO, bem, cresceu, sabe. Eu mesma comecei a ler PJO logo após o primeiro filme ser lançado, lá em 2010, quando tinha uns 14 anos, então não posso dizer que cresci lendo PJO (ou HP, falando nisso), mas bem, o que leio hoje em dia não corresponde mais ao que eu lia 2010 (well, na verdade corresponde para o horror dos meus pais, mas acho que hoje em dia sou bem mais crítica, embora continue lendo basicamente os mesmos gêneros). Nessa releitura que fiz de PJO acabei percebendo que não me diverti tanto quanto tinha me divertido das outras três ou quatro vezes em que li a série, e acho que só posso culpar o tempo e a quantidade de livros que li nos últimos anos, que me fizeram ficar bem mais chata e exigente. Sim, eu sei que estou dando voltas e mais voltas, mas o fato é: HOO é um bom spin-off porque leva em conta que seus leitores cresceram e/ou estão mais exigentes, então a série, pelo menos aqui no primeiro livro, entrega mais do que a gente já conhece – semideuses, monstros, deuses prestes a serem derrotatos, etc, etc, – em um tom diferente e menos infantil que acredito ser ideal para seu público alvo. Pontos para o Riordan por isso.

Terceiro, eu adoro a ideia de gregos x romanos. Não vou falar muito para não dar spoiler, mas eu adoro os romanos. Ok, aqui no primeiro livro eles não aparecem muito, mas como já li o segundo (estou até relendo-o agora) posso afirmar com 100% de convicção que três gregos não valem um romano, yay. Plus o plano de Hera é bem interessante e eu mal posso esperar para ver como ele se desenrola nos próximos livros.

Mas nem tudo são flores (infelizmente). Perdi a conta do número de vezes em que revirei os olhos ao ler a Piper chafurdando em angst por ser linda (ô, tristeza, gente. Que tragédia. Pobre garota, tsk tsk) ou ao ver mais uma pessoa sendo um pé no saco com os filhos de Afrodite por eles serem vaidosos ou ao perceber que Riordan os retrata como semi-inúteis fúteis desde a primeira série justamente por eles aparentemente não servirem para mais nada além de se olharem no espelho. As únicas que fogem esse estereótipo são a Silena, que era uma traidora e morreu no último livro de PJO, e a própria Piper, que, surpresa!, acha que ser linda é equivalente a ser um cavaleiro do apocalipse. Há alguns indícios de que esse estereótipo cairá por terra nos próximos volumes, mas enquanto isso permanecerei aqui bocejando toda vez que alguém nessa série for visto como inferior por se importar com a aparência. Bleh.

Mas, no geral, O Herói Perdido é um livro ótimo. O ritmo é bom, os personagens também, a escrita tem qualidade e o final não é fácil demais como em O Ladrão de Raios. Então, né, 4.0 estrelas.

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Rants literários: a substituição da construção de personagem por seu papel na história

Uma das coisas que eu mais odeio ao ler qualquer livro é ver a construção – e mais tarde o desenvolvimento – de um personagem substituídos por seu papel na história. É algo que acontece com tanta frequência que muitas pessoas sequer notam que há alguma coisa de errado, o que, é claro, abre mais espaço para que essa substituição continue sendo feita. E, acredite em mim, isso é sim uma perda horrível para a literatura.

Mas o que, exatamente, é essa substituição da construção de personagem por seu papel na história?

É algo até bem simples e bem óbvio, e que começa assim que lemos a sinopse de um livro. Na sinopse, a depender do gênero, nos é informado quem são os protagonistas, quem são os inimigos, quem são os pares românticos, quem são seus amigos, etc, e isso tudo nos leva a ter um pré-conceito de cada um desses personagens. É como se os estivéssemos encaixando em seus lugares, como uma peça de quebra-cabeças, e assim acabamos por definir seus papéis. Acabamos, portanto, já gostando ou desgostando desses personagens antes mesmo de conhecê-los.

É claro que não há problema algum nisso; o problema só começa quando esse pré-conceito, essa opinião formada antes do conhecer, é usada para substituir a construção e desenvolvimento de um personagem. O escritor presume que já estamos inclinados a gostar do personagem Z e a odiar o Y (e geralmente estamos mesmo) e não faz muito esforço para realmente tornar o personagem Z alguém interessante o bastante para se gostar ou para transformar o personagem Y em um vilão de verdade. Isso acontece principalmente (mas não exclusivamente, vale frisar) em livros YA voltados para garotas; desde a página 1 já sabemos que a protagonista, nosso maior meio de se conectar à história, vai se apaixonar pelo garoto mencionado na sinopse como o interesse romântico, então já nos acostumamos com a ideia de gostar dele. Ele pode acabar sendo um stalker agressivo e controlador (como já discutido no primeiro post dos rants), mas não importa, porque ele é o interesse romântico e provavelmente é lindo de morrer, então, sim, gostaremos dele, mas gostaremos pelo papel que ele tem na história, e não por ele próprio.

Como eu já disse, isso acontece em todos os gêneros, com todos os tipos de personagem. Somos condicionados a simpatizar com o melhor amigo do protagonista, a odiar o vilão/antagonista, a gostar do interesse romântico (e assim por diante) o tempo todo, em todo livro que lemos. O próprio protagonista acaba no meio dessa confusão também, e os autores usam os meios mais simplistas de fazer com que o leitor se identifique com o personagem principal da história; ele é sempre tímido ou quieto, com poucos (mas ótimos) amigos, e sempre gosta de ler. Por quê? Simples: essas são as características mais comuns em leitores do mundo todo. Tendemos a ser mais introvertidos e muitas vezes esse é o motivo de termos começado a ler tanto. Fazer um personagem assim é o jeito mais barato e preguiçoso de (tentar) fazer com que o leitor se identifique com a história. Ou seja, lazy writing.

Não estou dizendo que é um crime criar um personagem principal tímido ou quieto que goste de ler; o problema é criar um personagem definido apenas por essas características, sem ter, portanto, profundidade alguma. Personagens assim são portas de entrada para o reino Mary Sue, e você obviamente não quer isso na sua história, certo? Certo.

Essa predisposição que temos antes de iniciar qualquer livro (e também durante a leitura) faz com que perdoemos atos cometidos pelos mocinhos quando na verdade jamais o faríamos se eles tivessem sido feitos pelos “caras maus”. Sim, fulano pode ter feito algo horrível, mas ele é o protagonista, Cicrano foi um babaca, mas ele está do “lado do bem”, Beltrano pisou na bola, mas ele é o melhor amigo do personagem principal… E assim vamos ignorando os próprios personagens e valorizando apenas o papel deles na história.

Evitar que isso aconteça é bem simples: é só se esquecer dos papéis que os personagens ocupam e julgá-los por eles mesmo. Para escrever, é claro, a coisa se torna um pouco mais complicada, mas é só parar de fazer personagens que se encaixem nesses papéis e começar a ajustar os papéis após ter construído o personagem. Se isso não for feito acabaremos com mais e mais personagens que são praticamente iguais por serem definidos apenas por esses papéis, com apenas uma ou outra característica escolhida apenas para tentar fazê-los parecer mais originais. Todos, é claro, sem profundidade alguma.

E como bem sabemos, poucas ou nenhuma história sobrevive com personagens ruins, mas estamos muito acostumados a ler (e gostar de) personagens ruins, então qualquer história que se diferencie, que realmente invista em construir personagens bons e bem desenvolvidos, acabará se destacando das demais. Bons personagens são, hoje em dia, a arma secreta de qualquer escritor – é uma pena que tão poucos saibam usá-la de fato.

Resenha: O Último Olimpiano, Rick Riordan

O Último Olimpiano
Percy Jackson e os Olimpianos #05
Rick Riordan
Skoob
★★★★

Os meios-sangues passaram o ano inteiro preparando-se para a batalha contra os Titãs, e sabem que as chances de vitória são pequenas. O exército de Cronos está mais poderoso que nunca, e cada novo deus ou semideus que se une à causa confere mais força ao vingativo titã.Enquanto os Olimpianos se ocupam de conter a fúria do monstro Tifão, Cronos avança em direção à cidade de Nova York, onde o Monte Olimpo está precariamente vigiado. Agora, apenas Percy Jackson e seu exército de heróis podem deter o Senhor do Tempo.

Nesse quinto e último livro da série, o combate se acirra e o mundo que conhecemos está prestes a ser destruído. O destino da civilização está nas mãos do semideus anunciado na antiga profecia, e Percy está perto de completar dezesseis anos – a dúvida é: o herói será ou não capaz de tomar a decisão correta?

O Último Olimpiano é, de longe, o melhor livro da série para mim.

O motivo é bem simples. Primeiro, eu adorei como não houve viagens loucas como nos outros volumes. Certo,acho as viagens bem legais, mas após quatro livros escritos mais ou menos no mesmo formato foi um alívio ler um em que as coisas acontecessem principalmente em um lugar só. Segundo, O Último Olimpiano não para nunca; tem sempre algo acontecendo, esse algo sempre coloca a vida dos personagens em risco e, o que para mim é ainda melhor, é um risco bem real, sem aquela facilidade toda que encontrei em O Ladrão de Raios. A escrita está melhor, os personagens estão melhores e o próprio plot é bem superior ao dos outros livros – provavelmente porque é o último, mas ainda assim ele foi, não sei, mais bem arranjado, talvez? Tudo pareceu mais bem planejado.

Apesar de ter gostado muito desse livro, ainda mantenho o que disse na minha resenha do primeiro volume: acho HOO bem melhor (apesar de só ter lido dois livros dessa nova série), tanto em termos de plot quanto de escrita e maturidade da história. Veja, PJO não é sequer uma série young adult, apesar de tantas pessoas a considerarem uma (eu inclusa, na maior parte do tempo); PJO é classificado como middle grade, ou seja, é um público alvo mais jovem, obviamente, do que os dos livros young adult. E isso reflete em vários aspectos da história, que é, no geral, divertida, mas bem simples, embora haja alguns poucos momentos mais sérios. É um dos motivos de minhas resenhas de PJO serem tão curtas; os livros são leves que eu passo por eles num tapa, sem nem notar que já estou me aproximando no final.

Isso é bom? É. Afinal, na maior parte das vezes é melhor se divertir em um livro rápido do que se arrastar em um livro lento e possivelmente chato. Mas PJO é tão simples que eu não só li todos os cinco volumes em tempo recorde (para mim) como quase os acabei juntando em um só (um dos motivos de eu ter me atrapalhado nas resenhas). É por isso que considero HOO, uma série young adult, melhor. Como eu disse, as coisas são bem mais maduras por lá.

Não falo isso para colocar PJO para baixo, até porque adoro a história, mas a verdade é que esses livros não vão ficar (e não ficaram, da primeira vez que os li) na minha mente por muito tempo. Foram uma leitura divertida, claro, mas só isso. O que, na minha opinião, não é problema algum. Contorçam-se, elitistas amantes da Literatura com L maiúsculo, suas criaturas chatas!

Então, é isso. 4.0 estrelas para O Último Olimpiano.

Resenha: A Batalha do Labirinto, Rick Riordan

A Batalha do Labirinto
Percy Jackson e os Olimpianos #04
Rick Riordan
Skoob
★★★½

O Monte Olimpo está em perigo. Cronos, o perverso titã que foi destronado e feito em pedaços pelos doze deuses olimpianos, prepara um retorno triunfal. O primeiro passo de suas tropas será atacar e destruir o campo de treinamento dos heróis, filhos de deuses com mortais, que desde a Grécia Antiga combatem na linha de frente em defesa dos olimpianos. Para assegurar que esse refúgio de semideuses – o Acampamento Meio-Sangue – não seja invadido, Percy Jackson e um jovem ciclope, ambos filhos de Poseidon, Annabeth Chase, filha de Atena, e Grover, um sátiro, são destacados para uma importante missão – deter as forças de Cronos antes que se aproximem do acampamento. Para isso, será preciso sobreviver ao emaranhado de corredores do temido Labirinto de Dédalo – um interminável universo subterrâneo que, a cada curva, revela as mais aterrorizantes surpresas.

A Batalha do Labirinto, pra mim, só perde para O Último Olimpiano nessa primeira série de Riordan. Gostei muito de como ele adaptou a ideia do labirinto de Dédalo para o mundo atual, e gostei ainda mais do que realmente acontece dentro dele (o encontro com a Esfinge e com Janus, por exemplo), mas em especial gostei muito da presença de Rachel, uma mortal, e do papel que ela tem na série. É bom ver que mortais também podem fazer a diferença e não apenas ficar gritando de um lado para outro quando algo sobrenatural acontece.

Algumas coisas me irritaram nesse livro, porém, principalmente a Annabeth. Eu a adoro, mas o ciúme bestinha dela por causa de qualquer interação com do Percy com a Rachel me fez revirar os olhos. Na maior parte do tempo Percy e Rachel sequer fazem nada vagamente suspeito, mas ela fica emburrada e é grossa com a garota mesmo assim. E em momento nenhum realmente se cria alguma dúvida sobre com quem o Percy vai ficar, o que por um lado é ótimo já que eu odeio triângulos amorosos, mas que por outro faz a Annabeth ficar ainda mais irriante. Desgruda, garota, pelo amor de Deus.

O final também ficou um tanto corrido, mas nada grave. Gostei bastante do Nico e do Percy nesse livro (novidade), e gostei muito da Calipso e até mesmo da Juniper. Enfim, 3.5 estrelas.

Resenha: A Maldição do Titã, Rick Riordan

A Maldição do Titã
Percy Jackson e os Olimpianos #03
Rick Riordan
Skoob
★★★½

Um chamado do amigo Grover deixa Percy a postos para mais uma missão: dois novos meios-sangues foram encontrados, e sua ascendência ainda é desconhecida. Como sempre, Percy sabe que precisará contar com o poder de seus aliados heróis, com sua leal espada Contracorrente… e com uma caroninha da mãe. O que eles ainda não sabem é que os jovens descobertos não são os únicos em perigo: Cronos, o Senhor dos Titãs, arquitetou um de seus planos mais traiçoeiros, e nossos heróis serão presas fáceis. Um monstro ancestral foi despertado – um ser com poder suficiente para destruir o Olimpo –, e Ártemis, a única deusa capaz de encontrá-lo, desapareceu. Percy e seus amigos têm apenas uma semana para resgatar a deusa sequestrada e solucionar o mistério que ronda o monstro que ela caçava.

Divertidíssima e repleta de ação, essa terceira aventura da série coloca nosso herói e seus aliados frente a frente com o maior desafio de suas vidas: a terrível profecia da maldição do titã.

Esse livro não é um dos meus favoritos da série, mas tem um lugar especial no meu coração por motivos de Thalia e Nico (mas principalmente por causa do Nico, plep).

Gosto muito da Thalia (na verdade gosto muito de praticamente todas as personagens femininas dessa série, mas da Thalia em especial). Como a Annabeth mesmo diz, ela é parecida com o Percy em alguns sentidos, mas completamente diferente em outros, e, em resumo, ela é um personagem fácil de se gostar/admirar. Nico, desde a primeira que li A Maldição do Titã, se tornou meu personagem preferido da série junto com o Percy. Aqui ele ainda é bem jovem e bem mais infantil/inocente (</3333), mas o final do livro desencadeia o maior desenvolvimento dele, que acontece nos próximos livros. Acho que Nico é o personagem que muda de modo mais drástico durante a série.

Enfim, A Maldição do Titã é um livro divertido sim, sem as falhas de O Ladrão de Raiose um tico mais sério do que O Mar de Monstros, mas, como eu disse, passa um tanto longe de ser meu preferido. Algumas coisas me irritaram, como por exemplo as Caçadoras sempre ficando de mimimi com os caras (um saco, sério), mas nada realmente grave. 3.5 estrelas.

Rants literários: o (mau) comportamento dos autores na era da internet

OBS: Os links desse post são todos para artigos em inglês. Infelizmente, não tem muito sobre o assunto em português.

OBS2: O rant de hoje não é bem um rant… É bem mais “leve” do que os outros no quesito de eu expressar minhas opiniões (embora elas ainda estejam aí), mas o tópico é bem importante para quem pertence ao meio literário.

OBS3: Post gigante. Oops.

Antigamente ser um escritor publicado era bem mais fácil. Você só tinha que escrever o livro, revisar algumas vezes, reescrever, achar uma editora interessada e então publicar sua obra. Depois de ver sua criação impressa e nas livrarias, o escritor publicado do século passado talvez fosse falar dela para os amigos, vizinhos e para família, e também no seu local de trabalho. Sim, fazer tudo isso dá um trabalho danado mesmo, mas era só. Não havia mais o que fazer. Hoje, feliz ou infelizmente, as coisas não são mais assim; o autor contemporâneo tem que, também, estar na internet.

“Estar na internet” não é bem a melhor escolha de palavras, para falar a verdade. Talvez “criar uma presença na internet” seja mais aplicável ao que acontece hoje em dia. Com muito mais escritores do que jamais tivemos em qualquer outro período da história, atualmente só se destaca aquele que der muita sorte ou que tenha muita determinação para conquistar seu espaço. E para conquistar o seu espaço, o autor precisar estar na internet o tempo todo, mas, mais uma vez feliz ou infelizmente, a internet também abriu espaço para um feedback maior. Com a existência de sites como o Skoob aqui no Brasil, e o GoodReads e o Leafmarks lá fora, qualquer autor pode dar uma espiada no que estão falando sobre seu livro a qualquer instante. Isso pode, claro, ser maravilhoso (imagina só a alegria de ver dezenas de resenhistas dando cinco estrelas para sua obra?), mas também pode ser um desastre. Afinal, nem todo livro vai ser amado, e livros vistos como ruins pela maior parte do público são lançados a todo momento. O que acontece, então, quando um autor mais sensível lê resenhas com críticas mais duras e impiedosas sobre o livro que ele demorou anos para escrever e publicar?

Barraco, minha gente, é o que acontece. Sério.

Até alguns meses atrás eu vivia na inocência de achar que o máximo de ruim que poderia acontecer na relação autores-leitores era a óbvia atitude passiva-agressiva de alguns escritores brasileiros (“ah, mas tem muita gente que só fala mal de nossos livros porque estão com inveja!”). Há alguns meses atrás, porém, finalmente decidi criar uma conta no GoodReads, e meu mundo virou, do nada, de cabeça para baixo.

Antes de eu explicar exatamente o porquê, deixe-me explicar uma concepção básica que existe (ou que deveria existir) entre autores e leitores: é uma péssima ideia o autor comentar em alguma resenha – ainda mais se for negativa – e é uma ideia ainda pior citar algum resenhista no Twitter ou em qualquer blog que o autor tenha, mesmo que seja para explicar que não, não foi isso que eu quis passar na minha obra. Por que essa concepção existe? Simples: o escritor, por mais desconhecido que seja, sempre terá mais gente para defendê-lo do que o resenhista. É como uma quebra de braço, apenas que o autor tem sua mão apoiada por dez vezes mais pessoas do que o resenhista, que pode acabar se ferrando bonito em casos assim. Há também outro aspecto: desde que não esteja atacando o autor como pessoa, o resenhista tem todo o direito de dizer o que achar da obra, mesmo que escolha usar uma linguagem mais rude e até mesmo cruel. Principalmente em sites como o GoodReads e o Skoob, que foram feitos justamente para se compartilhar opiniões sobre livros lidos.

Esclarecido isso, podemos passar para o primeiro caso que fez eu começar a entender como as coisas realmente são no mercado de livros: o caso da agente literária de Kiera Cass, autora de A Seleção.

A coisa toda começou quando uma resenha de A Seleção feita por Wendy Darling no GoodReads recebeu tantos likes que acabou no topo de resenhas da página do livro. A agente da autora, Elana Roth, decidiu falar sobre isso no Twitter. Saca só:

(Elana Roth, ER): Maldição, o GoodReads realmente precisa de um sistema melhor de filtração e de algorítimos sobre o modo como o site mostra as resenhas e as avaliações por padrão. Tão horrível.

(Kiera Cass, KC, em resposta a ER): Eu acho que é por likes e é fácil dar like em coisas cruéis. Tanto faz.

(ER, em resposta a KC): Aquela cadela no topo está realmente me irritando. Ela reclama antes de ler, lê pouco e então reclama de novo. Qual o caso dela?

(ER, ainda em resposta a KC): Eu acho que preciso ir e dar like em todas as resenhas positivas.
(ER, ainda em resposta a KC): Acabei de ir lá em todas as resenhas com 4 ou 5 estrelas e dei like nelas. 
(ER, ainda em resposta a KC): Nós deveríamos pedir ajuda a @KalebNation. Aparentemente não tenho mais clientes no GoodReads para pedir, porém. Estranho.
(KC, em resposta a ER): É, eu não sei o que está acontecendo. Mas estou pensando em dar like em algumas eu mesma. Talvez eu peça discretamente a alguns amigos para fazer o mesmo também. Nós temos grandes amigos.
(KC, em resposta a ER): É, minha lista de amigos no GoodReads é limitada. Hmm.
(KC): Em outras notícias: 6.000+ adicionamentos no GoodReads. Eu ADORO vocês, pessoal!

Sim, isso aconteceu. E sim, isso aconteceu no Twitter, uma rede social totalmente aberta, onde todo mundo pode ver Kiera Cass e sua agente Elana Roth planejarem manipular a ordem em que as resenhas no GoodReads são dispostas. Com o bônus de a Roth ainda ter chamado Wendy Darling de cadela.

A coisa explodiu a partir do momento em que Wendy Darling descobriu o que tinha acontecido e compartilhou no GoodReads o print acima, junto com outro, que mostrava pessoas anônimas deixando comentários não tão amigáveis na resenha dela. Ela, Wendy, escreveu um post no seu blog explicando o que tinha acontecido e como isso a afetou, mas para resumir: Wendy passou a ser atacada diariamente por anônimos e por supostos amigos da autora (que depois, assim como Elana Roth, pediu desculpas), entre estes uma autora independente já mal-afamada por ter atacado leitores* que publicou o que, segundo ela, seria o nome verdadeiro de Wendy Darling, sua foto, seu e-mail e informações sobre o trabalho de seu marido. Isso, obviamente, gerou mais uma rodada de “trolls” mandando mensagens não tão simpáticas para ela. Vocês podem imaginar o nível da coisa.

Isso tudo aconteceu no início de 2012 e, pelo que eu vi, foi o maior “escândalo” (decididamente não o único, como vocês vão ver depois) do ano no meio literário. Muita gente escreveu sobre isso na época (como você pode ver no segundo post feito por Wendy Darling). Enfim, foi o caos na Terra.

Mas não foi o começo, e muito menos o fim, das confusões entre autores e leitores em 2012. Aliás, muita coisa aconteceu bem no início do ano, que ficou conhecido como Os Primeiros Dias no GoodReads. Resumindo:

  • Dia 1: Kira escreveu uma pré-resenha negativa do livro Tempest, de Julie Cross. Dan Krokos, amigo de Julie Cross, foi na resenha reclamar. Depois, ele levou isso tudo para o Twitter, onde criou a hashtag #goodreadsslogan para criticar as pessoas (leitores, hm) do GoodReads que compartilhavam suas opiniões em resenhas, porque obviamente todas essas pessoas estariam na verdade atacando os autores. Vários outros autores se juntaram a ele. O único lado bom dessa história foi que Julie Cross agiu muito bem, não atacou ninguém e disse, super de boa, que a resenha de Kira não estava atacando-a de modo algum. Duh. (leia mais sobre esse caso aqui).
  • Dia 2: Flannery escreveu uma resenha do livro Froi of the Exiles, de Melina Marchetta, dando 3 estrelas para a obra (não foi nem uma estrela, gente, foram três). Danielle Weiller (outra autora) comentou na resenha dizendo que a resenha estava “tirando coisas do contexto” e que o fato de Flannery ter dado 3 estrelas quando sua resenha (segundo Weiller) indicava que ela queria dar 1 era cruel. Uh. (Depois de um tempo Weiller deletou os comentários na resenha de Flannery, mas você pode ler a partir da mensagem 48 lá na resenha para ter uma ideia de como a coisa foi).
  • Dia 3: Steph Sinclair escreveu uma resenha do livro Carrier of the Mark de Leigh Fallon e depois de algum tempo recebeu um e-mail escrito por Fallon para outra pessoa que não Sinclair onde a autora a chamava de vaca e cadela, e ainda pedia aos seus amigos para darem um yes nas resenhas positivas de seu livro no Amazon. Fallon acabou pedindo desculpas e disse que tinha mandado aquele e-mail para dois amigos, mas todo mundo ficou meio desconfiado porque você obviamente precisa de mais de dois amigos para fazer as resenhas positivas subirem no Amazon e/ou GoodReads. Well. (leia mais sobre esse caso aqui).
  • Dia 4: Sophie escreveu uma resenha do livro Beautiful Disaster de Jamie McGuire. Fãs do livro a atacaram nos comentários. McGuire acaba então escrevendo um post em seu blog sobre isso, para depois apagar. McGuire vai também ao Twitter. Lembra da quebra de braço? Bem isso.

*A autora independente e mal-afamada que vazou as informações pessoais de Wendy Darling é Melissa Douthit, que acabou banida do GoodReads por criar 27 contas fantasmas para assediar resenhistas e dar like em resenhas positivas dos livros delas (e de seus amigos, provavelmente). Sweet.

Não, isso não foi tudo o que aconteceu em 2012. Muito mais aconteceu, na verdade. Mas chega de falar do passado; vamos falar de casos recentes, certo? Certo. Dois aconteceram bem recentemente.

Primeiro, o mais chocante. Em 26 de setembro, Paige Rolland publicou uma resenha das primeiras páginas de The World Rose, de Richard Brittain. Brittain já era famoso no Wattpad por ser um, hm, babaca. Vale mencionar que The World Rose foi publicado de modo independente. Enfim, dias após Rolland ter publicado sua resenha, ela foi atacada por Brittain (que mora em Londres) em seu local de trabalho (na Escócia!) com uma garrafa de vinho na cabeça, por trás. Ela foi hospitalizada, mas já prestou queixa e aparentemente Brittain vai acabar internado por problemas mentais.

Segundo, o que repercutiu mais. Kathleen Hale, autora de No one else can have you teve um artigo publicado no The Guardian onde ela relatou como perseguiu uma resenhista que deu apenas uma estrela para seu livro. No artigo, Hale conta como literalmente ficou de olho nas redes sociais de Blythe Harris após ter visto a resenha dela, como chegou a pedir o endereço de Harris a um blog que estava organizando um book tour de seu livro dizendo que ia lhe mandar um presente, como foi até a casa de Harris, como desistiu de bater na porta dela, como descobriu que Blythe Harris não é nome verdadeiro da mulher que escreveu a resenha de seu livro e como ligou para o trabalho dela para tentar conseguir mais informações. Hale meio que tenta justificar ter perseguido Blythe Harris com o fato de que Blythe Harris não existe, como se usar um nome diferente – e até uma idade diferente – para resenhar livros fosse um crime. Mas, surpresa!, não é.

(Se fosse eu seria presa, oops. Nunca cheguei a dizer ter uma idade diferente da minha real, embora já tenha omitido-a para ser levada a sério – comecei a participar de discussões em fóruns sobre livros com 13 anos quando todo mundo já estava ou terminando o ensino médio ou na faculdade ou trabalhando, então né -, mas acho que nunca cheguei a usar meu nome verdadeiro, e já mudei de nome várias e várias vezes.)

O artigo de Hale rendeu muito, e ainda está rendendo. Rendou uma hashtag no twitter (#HaleNo), um blog blackout (vários blogs grandes estão suspendendo suas atividades por uma/duas semanas em protesto), e vários posts, cartas e artigos em resposta ao publicado pelo The Guardian (exemplo). Em resumo, todo mundo está revoltado com o fato de que um jornal como o The Guardian achou que seria uma boa ideia publicar um artigo sobre uma autora stalker. E, para piorar, com o fato de que tem gente apoiando-a.

Há outros casos, é claro. Muitos, acontecendo quase o tempo todo. Alguns, porém, saem da esfera de relação entre autor-leitor e vão além, para a personalidade e os feitos dos autores longe de seus livros. Como o fato de que os filhos de Marion Zimmer Bradley, autora consagrada de As Brumas de Avalon que faleceu em 1999, disseram recentemente que a mãe abusava deles. Não foram poucos os posts sobre essa revelação (sério), que foi um choque. MZB é ainda hoje muito aclamada, muito famosa, e seus livros são adorados por muitos. Mas, depois dessa, saíram de modo permanente da minha lista de leitura.

Outro cujos livros estão praticamente excluídos da minha lista de leitura é Orson Scott Card, autor de Ender’s Game, filme que eu adorei e que me fez ficar saltitante de vontade de ler o livro no qual foi baseado. Mas Card é um homofóbico que vem lutando contra os direitos dos homossexuais há anos. E, feliz ou infelizmente, eu não conseguiria ler Ender’s Game, cuja mensagem, pelo que eu vi no filme, é justamente a de aceitar e entender o diferente, sabendo que o autor faz tudo menos isso. Acaba sendo hipocrisia demais para mim.

Separar o autor da obra é muito difícil, tanto em casos como o de Kathleen Hale, Kiera Cass/Elana Roth e Leigh Fallon quanto em casos como o de Orson Scott Card e Marion Zimmer Bradley. Eu, pessoalmente, não consigo. Talvez parte disso se deva ao fato de que eu sou (ou quero ser) escritora; jamais conseguiria me separar da histórias que quero escrever e, portanto, não consigo e nunca conseguirei abrir Ender’s Game e ler uma história magnífica sobre respeitar o diferente (com toda a parte legal de ser um livro de ficção científica) sabendo que tudo ali não passa de uma mensagem oca de um escritor hipócrita. Não sou apenas assim com livros; se descubro que certa banda é feita de babacas, não consigo mais ouvir as músicas, por exemplo. Estou até mesmo considerando largar de vez Shingeki no Kyojin, um anime que eu adoro, porque o autor disse que um dos personagens, Dot Pixis, foi inspirado em um general japonês que lutou em duas guerras (uma contra a Rússia, outra contra a China) para manter a Coreia sob domínio do Japão e que ele o respeitava pela vida frugal que esse general levava. O problema é que, sob o nome desse general, garotas coreanas foram estupradas e homens coreanos foram feitos de escudos humanos e objetos de tortura. Quando fãs coreanos do anime reclamaram sobre isso, ele disse que o que o Japão fez com a Coreia não pode ser comparado com o Holocausto porque a vida dos coreanos (e dos chineses) melhorou “graças” ao Japão, mesmo que essa “melhora” tenha significado a morte de centenas (ou milhares) e tenha abrigado uma tentativa de apagar a cultura coreana. Ou seja, o cara é um babaca. E por mais que SnK seja um dos melhores animes que eu já vi (e um dos mangás que eu mais quero ler), não dá pra mim. Não rola mesmo.

Sei que a maior parte das pessoas que me seguem aqui [no tumblr] é feita de escritores, então achei que esse seria um bom tópico para se discutir. Vocês conseguem separar o autor da obra? Leriam algum dos livros aqui citados mesmo sabendo que o/a autor/a fez o que fez? Ou continuariam lendo as histórias, isolando-as das pessoas que a escreveram? E como agiriam caso algum livro seu recebesse essas resenhas negativas?

É algo que se vale a pena pensar.

Resenha: O Mar de Monstros, Rick Riordan

O Mar de Monstros
Percy Jackson e os Olimpianos #02
Rick Riordan
Skoob
★★★★☆

O Mar de Monstros é o segundo volume da série Percy Jackson e os olimpianos, best-seller do The New York Times. Nessa nova aventura, Percy e seus amigos estão em busca do Velocino de Ouro, único artefato mágico capaz de proteger da destruição seu lugar predileto e, até então, o mais seguro do mundo: o Acampamento Meio-Sangue. Com o envenenamento da árvore de Thalia por um inimigo misterioso, as fronteiras mágicas que protegem o Acampamento estão ameaçadas, e é preciso buscar o antídoto.

Assim, nossos heróis partem em uma arriscada e incrível viagem pelo Mar de Monstros, localizado nas coordenadas 30-31-75-12: uma referência ao Triângulo das Bermudas. Lá, enfrentam seres fantásticos e muitos perigos e situações inusitadas, que põem à prova seu heroísmo e sua herança – quando Percy irá questionar se ser filho de Poseidon é uma honra ou uma terrível maldição. Combinando fatos contemporâneos com mitologia, fantasia com erudição, O Mar de Monstros diverte, encanta e ensina pais e filhos

Meus medos se mostraram infundados. O Mar de Monstros se mostrou bem melhor do que O Ladrão de Raios; os desafios foram mais difíceis, os personagens se desenvolveram mais e o plot ficou bem mais interessante. Gosto especialmente do relacionamento ente o Percy e Annabeth nesse livro. Para mim, eles são um ótimo exemplo de como se desenvolve um (pseudo, por enquanto) romance, e apesar da Annabeth não ser minha personagem preferida, ela é um personagem completo e não apenas o interesse romântico. É até meio bizarro ver isso acontecer em um livro para crianças, mas não ver em livros para jovens adultos ou adultos mesmo.

Foi nesse livro também que me lembrei o porquê de eu gostar tanto do Percy. Geralmente sou meio imparcial para protagonistas das histórias que leio (os secundários me interessam muito mais na maior parte das vezes), mas o Percy é um caso a parte. Eu realmente gosto dele. Ele é um idiota, mas um idiota divertido, e eu gosto do modo com que ele narra a série. Minha indisposição com livros narrados em primeira pessoa não é fraca de se vencer, mas em Percy Jackson e os Olimpianos isso não me incomoda em nada. Acho até que os livros perderiam um pouco da cor se fossem escritos em terceira pessoa.

Enfim, me animei novamente para continuar minha releitura depois de O Mar de Monstros. Planejo começar A Maldição do Titã ainda hoje (e depois vou ter que dar um jeito de comprar os últimos três de Os Heróis do Olimpo, oops). Enfim, 4 estrelas

Resenha: O Ladrão de Raios, Rick Riordan

O Ladrão de Raios
Percy Jackson e os Olimpianos #01
Rick Riordan
Skoob
★★★☆☆

Primeiro volume da saga Percy Jackson e os olimpianos, O ladrão de raios esteve entre os primeiros lugares na lista das séries mais vendidas do The New York Times. O autor conjuga lendas da mitologia grega com aventuras no século XXI. Nelas, os deuses do Olimpo continuam vivos, ainda se apaixonam por mortais e geram filhos metade deuses, metade humanos, como os heróis da Grécia antiga. Marcados pelo destino, eles dificilmente passam da adolescência. Poucos conseguem descobrir sua identidade.O garoto-problema Percy Jackson é um deles. Tem experiências estranhas em que deuses e monstros mitológicos parecem saltar das páginas dos livros direto para a sua vida. Pior que isso: algumas dessas criaturas estão bastante irritadas. Um artefato precioso foi roubado do Monte Olimpo e Percy é o principal suspeito. Para restaurar a paz, ele e seus amigos – jovens heróis modernos – terão de fazer mais do que capturar o verdadeiro ladrão: precisam elucidar uma traição mais ameaçadora que a fúria dos deuses.Li O Ladrão de Raios pela primeira vez anos atrás, logo antes do filme ser lançado, e naquela época achei o livro uma leitura leve e divertida, com bons personagens e um plot interessante. Agora, relendo talvez pela quarta ou quinta vez, notei alguns detalhes que me fizeram dar a esse livro 3 estrelas ao invés de 4, como era minha intenção, mesmo eu gostando muito da série. Na verdade, foi apenas um detalhe: tudo aqui é fácil demais.

Percy não tem sequer que pensar muito ou fazer muito para superar os desafios que os deuses decidem jogar contra ele. É claro que ele tem ajuda de seus amigos e por isso as coisas ficam menos difíceis, mas ainda assim tudo é fácil demais, então foi difícil para mim levar a aventura deles a sério. Não consigo “entrar” mesmo em um livro se não há ao menos a mais pequena possibilidade de dar tudo errado; se tudo está bem e continua bem, então por que eu deveria me importar? Não há tensão alguma nesse livro. Não lembro se os próximos volumes são assim também, mas como estou relendo as duas séries agora queO Sangue do Olimpo foi lançado, acho que acabarei descobrindo em breve. Me desejem sorte.

De qualquer forma, como eu disse, realmente gosto dessa série e de seus personagens, e reler o primeiro livro de novo depois de anos foi divertido. Não tão divertido quanto me lembro de ter sido pela primeira vez, mas, bem, ainda foi o suficiente. Sempre gostei mais de Os Heróis do Olimpo mesmo.

Resenha: The Young Elites, Marie Lu

The Young Elites
The Young Elites #01
Marie Lu
Skoob
★★★★☆

Estou cansada de ser usada, ferida e deixada de lado.

Adelina Amouteru é uma sobrevivente da febre de sangue. Dez anos atrás, essa doença mortal varreu sua nação. A maior parte dos infectados morreram, enquanto muitas das crianças que sobreviveram foram deixadas para trás com marcas estranhas. O cabelo negro de Adelina se tornou prateado, seus cílios ficaram pálidos e agora ela tem apenas uma cicatriz irregular onde seu olho esquerdo um dia esteve. Seu pai cruel acredita que ela é um malfetto, uma abominação, arruinando o bom nome de sua família e bloqueando o caminho de sua fortuna. Mas rumores dizem que alguns dos sobreviventes da febre possuem mais do que cicatrizes – muitos acreditam que eles detém dons poderosos e misteriosos, e apesar de suas identidades se manterem em segredo, eles começaram a ser chamados de Jovens Elites.

Teren Santoro trabalha para o rei. Como Líder da Inquisição Axis, é seu trabalho caçar os Jovens Elites, destruí-los antes que eles destruam a nação. Ele acredita que os Jovens Elites são perigosos e vingativos, mas é Teren quem pode possuir o segredo mais sombrio de todos.

Enzo Valenciano é um membro da Irmandade da Adaga. A seita secreta de Jovens Elites procura outros como eles próprios antes que a Inquisição Axis o faça. Mas quando os Adagas encontram Adelina, eles descobrem alguém com poderes como eles jamais viram.

Adelina quer acreditar que Enzo está do seu lado, e que Teren é o verdadeiro inimigo. Mas a vida desses três irá colidir de modo inexperado na medida que cada um luta uma batalha pessoal e diferente. Mas de uma coisa eles têm certeza: Adelina possui habilidades que não pertencem a esse mundo. Uma escuridão vingativa em seu coração. E um desejo de destruir todos que se atrevam a cruzar seu caminho.

É minha vez de usar. Minha vez de ferir.*

*tradução livre

Esse livro é meio difícil de avaliar.

Veja bem, o início é maravilhoso. Li o os dois primeiros capítulos (que estavam disponíveis antes do lançamento do livro) e os adorei tanto que mal podia esperar pela obra completa. Mas o caminho que a autora escolheu para essa história me incomodou bastante. É mais uma questão de gosto pessoal mesmo, mas eu odeio, odeio mesmo, quando o protagonista de um livro é forçado a se tornar espião para salvar alguém ou garantir algo para si mesmo, e é isso que acontece com Adelina já no início. Após ser salva da morte pela Dagger Society, ela é meio que forçada a passar informações sobre o grupo para a Inquisição, que mantém sua irmã prisioneira. Quando percebi que era isso mesmo que ia acontecer toda a vontade que eu tinha de ler esse livro sumiu. Fiquei chateada. De verdade.

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Resenha: Luck in the Shadows, Lynn Flewelling

Luck in the Shadows
Nightrunner #01
Lynn Flewelling
Skoob
★★★★☆

Quando o jovem Alec de Kerry é feito prisioneiro por um crime que não cometeu, ele tem certeza de que sua vida está chegando ao fim. Mas uma coisa que ele jamais esperava era seu companheiro de cela. Espião, ladino, ladrão e nobre, Seregil de Rhiminee é muitas coisas – e nenhuma delas é previsível. E quando ele oferece tomar Alec como seu aprendiz, muitas coisas podem nunca mais ser as mesmas para ambos. Logo Alec se vê viajando por estradas que ele nunca soube que existia, em direção a uma guerra que ele nunca suspeitou estar se aproximando. Em pouco tempo ele e Seregil acabam entranhados em uma trama sinistra que corre mais fundo do que eles podem imaginar, e que pode custá-los muito mais do que suas vidas se ambos falharem. Mas a fortuna é tão imprevisível quanto o novo mestre de Alec e dessa vez pode apenas ser… Sorte nas Sombras.

Eu estava em dúvida entre dar 3.5 ou 4 estrelas para esse livro, mas o fato de eu ter o terminado após penar para acabar O Poder da Espada me fez perceber algumas qualidades da história e dos personagens que antes eu não tinha notado. Então sim, Luck in the Shadows merece e muito essas quatro estrelas.

Vou monologar um tanto mais nessa resenha, então paciência comigo, certo? Certo.

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