Resenha: O Herói Perdido, Rick Riordan

O Herói Perdido
Os Heróis do Olimpo #01
Rick Riordan
Skoob
★★★★

Novos e conhecidos personagens do Acampamento Meio-Sangue dividem espaço nesse primeiro volume da série Os heróis do Olimpo. Rick Riordan volta ao universo de Percy Jackson e os Olimpianos com ainda mais aventuras, humor e mistério. Depois de salvar o Olimpo do maligno titã Cronos, Percy Jackson e seus amigos trabalharam duro para reconstruir seu mais querido refúgio, o Acampamento Meio-Sangue. É lá que a próxima geração de semideuses terá de se preparar para enfrentar uma nova e aterrorizante profecia. Os campistas seguirão firmes na inevitável jornada, mas, para sobreviver, precisarão contar com a ajuda de alguns heróis, digamos, um pouco mais experientes – semideuses dos quais todos já ouvimos falar… e muito.

Como eu não cansei de dizer em minhas resenhas de Percy Jackson e os Olimpianos, eu gosto muito mais de Os Heróis do Olimpo do que da primeira série. E os motivos são bem simples.Para começar, a escrita é melhor. Não é mais em primeira pessoa e sim em terceira (o que eu prefiro, apesar de adorar a narração do Percy em PJO), e é bem mais sólida e até mesmo mais descritiva. Achei bem mais fácil “mergulhar” na história aqui em O Herói Perdido do que em qualquer livro da primeira série, e acredito que a escrita seja a responsável por isso. E, é claro, os personagens secundários (que não são tão secundários assim, para falar a verdade) são bem mais explorados, já que não estamos presos somente no ponto de vista de Percy.

Segundo, bem, HOO é uma série young adult enquanto PJO é middle-grade. Ou seja, tudo (personagens, escrita, etc) é mais maduro e vários temas são tratados com mais seriedade, apesar da história ainda manter aquele ar meio “wtf” que PJO sempre teve. HOO é o tipo certo de série spin-off, já que leva em conta o fato de que quem cresceu lendo PJO, bem, cresceu, sabe. Eu mesma comecei a ler PJO logo após o primeiro filme ser lançado, lá em 2010, quando tinha uns 14 anos, então não posso dizer que cresci lendo PJO (ou HP, falando nisso), mas bem, o que leio hoje em dia não corresponde mais ao que eu lia 2010 (well, na verdade corresponde para o horror dos meus pais, mas acho que hoje em dia sou bem mais crítica, embora continue lendo basicamente os mesmos gêneros). Nessa releitura que fiz de PJO acabei percebendo que não me diverti tanto quanto tinha me divertido das outras três ou quatro vezes em que li a série, e acho que só posso culpar o tempo e a quantidade de livros que li nos últimos anos, que me fizeram ficar bem mais chata e exigente. Sim, eu sei que estou dando voltas e mais voltas, mas o fato é: HOO é um bom spin-off porque leva em conta que seus leitores cresceram e/ou estão mais exigentes, então a série, pelo menos aqui no primeiro livro, entrega mais do que a gente já conhece – semideuses, monstros, deuses prestes a serem derrotatos, etc, etc, – em um tom diferente e menos infantil que acredito ser ideal para seu público alvo. Pontos para o Riordan por isso.

Terceiro, eu adoro a ideia de gregos x romanos. Não vou falar muito para não dar spoiler, mas eu adoro os romanos. Ok, aqui no primeiro livro eles não aparecem muito, mas como já li o segundo (estou até relendo-o agora) posso afirmar com 100% de convicção que três gregos não valem um romano, yay. Plus o plano de Hera é bem interessante e eu mal posso esperar para ver como ele se desenrola nos próximos livros.

Mas nem tudo são flores (infelizmente). Perdi a conta do número de vezes em que revirei os olhos ao ler a Piper chafurdando em angst por ser linda (ô, tristeza, gente. Que tragédia. Pobre garota, tsk tsk) ou ao ver mais uma pessoa sendo um pé no saco com os filhos de Afrodite por eles serem vaidosos ou ao perceber que Riordan os retrata como semi-inúteis fúteis desde a primeira série justamente por eles aparentemente não servirem para mais nada além de se olharem no espelho. As únicas que fogem esse estereótipo são a Silena, que era uma traidora e morreu no último livro de PJO, e a própria Piper, que, surpresa!, acha que ser linda é equivalente a ser um cavaleiro do apocalipse. Há alguns indícios de que esse estereótipo cairá por terra nos próximos volumes, mas enquanto isso permanecerei aqui bocejando toda vez que alguém nessa série for visto como inferior por se importar com a aparência. Bleh.

Mas, no geral, O Herói Perdido é um livro ótimo. O ritmo é bom, os personagens também, a escrita tem qualidade e o final não é fácil demais como em O Ladrão de Raios. Então, né, 4.0 estrelas.

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