Resenha: As Mentiras de Locke Lamora, Scott Lynch

As Mentiras de Locke Lamora
Nobres Vigaristas #01
Scott Lynch
Skoob
★★★☆☆

O Espinho é uma figura lendária: um espadachim imbatível, um especialista em roubos vultosos, um fantasma que atravessa paredes. Metade da excêntrica cidade de Camorr acredita que ele seja um defensor dos pobres, enquanto o restante o considera apenas uma invencionice ridícula.Franzino, azarado no amor e sem nenhuma habilidade com a espada, Locke Lamora é o homem por trás do fabuloso Espinho, cujas façanhas alcançaram uma fama indesejada. Ele de fato rouba dos ricos (de quem mais valeria a pena roubar?), mas os pobres não veem nem a cor do dinheiro conquistado com os golpes, que vai todo para os bolsos de Locke e de seus comparsas: os Nobres Vigaristas.O único lar do astuto grupo é o submundo da antiquíssima Camorr, que começa a ser assolado por um misterioso assassino com poder de superar até mesmo o Espinho. Matando líderes de gangues, ele instaura uma guerra clandestina e ameaça mergulhar a cidade em um banho de sangue. Preso em uma armadilha sinistra, Locke e seus amigos terão sua lealdade e inteligência testadas ao máximo e precisarão lutar para sobreviver.

Eu estava meio apreensiva de ler As Mentiras de Locke Lamora justamente porque ouvi falar muito, muito bem dessa obra e desse autor, e de uns tempos para cá, como quem acompanha o blog já sabe, venho me decepcionando bastante com livros bem afamados. As Mentiras de Locke Lamora, porém, conseguiu cumprir seu papel para mim; foi uma leitura divertida e original que certamente merece a fama que tem. Não vai entrar no meu top 5 de livros de fantasia apenas porque não é meu tipo de fantasia (estou nesse gênero pela alta, sabe), mas com certeza está entre minhas leituras favoritas do ano.

O que realmente se destacou nesse livro para mim foi o worldbuilding. A cidade onde se passa a história, Camorr, foi tão bem construída e descrita pelo autor que deu para se sentir nela durante toda a história. Ela (e as cidades próximas) é inspirada na Itália do século XV ou XVI, lá pela época da Renascença, e essa inovação foi mais do que bem vinda para mim, que já ando meio de saco cheio de histórias que se passam apenas na Europa medieval. Camorr lembra bastante Veneza, já que é uma cidade divida em ilhas e cheia de rios, e eu adorei o modo com que o autor praticamente deu uma personalidade para a cidade. Foi um aspecto que me divertiu bastante durante a leitura.

Outra coisa da qual gostei bastante foi a escrita. Vivo dizendo isso, mas até mesmo a história mais cliché e sem sal ganha vida se tiver uma boa escrita, do mesmo modo que uma história original e bem construída morre ao ser mesclada com uma escrita ruim. Felizmente para Scott Lynch, a história dele já era boa, mas sua escrita foi o que me conquistou de vez. A única coisa que me incomodou nesse sentido foram os infodumps que aconteciam de vez em quando sempre que um novo local era apresentado ao leitor, o que, lá pela décima vez que isso aconteceu, já estava me enchendo o saco. Mas fora isso a escrita é perfeita, e um alívio. Esse ano li fantasia com escrita pobre para uma vida inteira.

Gostei bastante também do fato de que Locke e seus Nobres Vigaristas não roubam para sobreviver, e sim porque acham divertido. Vejo muitos autores sempre justificando seus protagonistas ladrões, e apesar de justificativas existirem em situações assim, depois de um tempo fica chato ler o tempo todo sobre ladrões com peso na consciência. Os Nobres Vigaristas são, bem, vigaristas, como o próprio nome diz. Eles não roubam pelo resultado final, para conseguir o dinheiro, e sim pelo próprio ato de roubar, o que tornou tudo bem mais divertido de se ler. Vários momentos são engraçados e isso dá uma leveza para história, que em alguns momentos fica mais ou menos pesada.

O que me impediu de dar cinco estrelas para As Mentiras de Locke Lamora pode ser dividido em dois tópicos. Primeiro, eu gostei dos personagens (quando certa coisa aconteceu com certos personagens fiquei meio 😐 e foi aí que percebi que, surpresa!, eu até que gosto deles), mas não consegui me conectar de verdade com nenhum. Gosto de livros que me fazem sentir mesmo, e com As Mentiras de Locke Lamora eu só me vi meio aborrecida quando algo de ruim acontecia com alguém. O Locke, por exemplo, apanha que nem um condenado e sofre bastante, mas enquanto tudo isso acontecia eu estava pensando ah, velho, que ruim e não cacete, isso não pode está acontecendo. Saca a diferença?

Segundo, o início é muito, muito lento. Tipo, é divertido, mas não é aquele tipo de divertido que faz com que você queira continuar lendo sem parar até a última página. Isso só aconteceu mesmo lá para depois da metade do livro, quando as coisas realmente ficaram interessantes, mas o início, meu Jesus, anda a passo de tartaruga, e olha que geralmente não me incomodo com livros lentos. Então se você começar a ler e achar que não tem muita coisa acontecendo, espere um pouco que te garanto que depois fica melhor. Mas, mesmo assim, é um defeito.

Pretendo continuar com a série, mas acho que vai demorar até eu pegar o segundo livro, Mares de Sangue, para ler. Tem muita série para iniciar antes de eu voltar para o mundo de Locke Lamora, mas eu retornarei (um dia). Recomendo para quem gosta de uma fantasia sem muitos aspectos fantasiosos, leve e divertida. É uma leitura que vale a pena.

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3 comentários sobre “Resenha: As Mentiras de Locke Lamora, Scott Lynch

  1. Fiquei com as mesmas expressões, o início foi BEM lento, mas ali pela página 200 tudo melhora consideravelmente e fica difícil parar. O que mais me cativou foram os diálogos sarcásticos e as piadas que todos eles faziam entre si, acho que isso deixou a leitura bem mais tranquila e interessante.

    Quanto ao gênero, não vejo como encaixar esse livro em “fantasia”, pois além do Mago-Servidor não temos nada que possa se encaixar nisso. Eu, particularmente, colocaria como “aventura” ou algo do tipo, acho que encaixa bem melhor.

    No mais era isso, agora é ler a continuação, mas essa eu vou deixar pra mais adiante pelo mesmo motivo que o seu, são MUITOS livros pra ler! haha

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