Resenha: O Último Sacrifício, Richelle Mead

O Último Sacrifício
Academia de Vampiros #06
Richelle Mead
Skoob
★☆☆☆☆

Rose Hathaway sempre jogou com suas próprias regras. Ela quebrou as regras quando fugiu da Academia St. Vladimir com sua melhor amiga e a última princesa Dragomir sobrevivente, Lissa. Ela quebrou as regras quando se apaixonou por seu maravilhoso e fora-dos-limites instrutor, Dimitri. E ela ousou desafiar a Rainha Tatiana, a líder do mundo Moroi, arriscando sua vida e reputação para proteger futuras gerações de guardiões dhampir. Agora a lei finalmente pegou Rose por um crime que ela sequer cometeu. Ela está presa pelo mais alto crime imaginável: o assassinato de um monarca. Ela precisará da ajuda de Dimitri e Adrian para encontrar a única pessoa viva que pode atrasar sua execução e forçar a elite Moroi a reconhecer uma chocante nova candidata ao trono real: Vasilisa Dragomir. Mas o relógio está correndo contra a vida de Rose. Ela sabe em seu coração que o mundo dos mortos a quer de volta… E desta vez ela realmente não tem uma segunda chance. A grande questão é: quando sua vida é dedicada a salvar os outros, quem vai te salvar?

Se Laços do Espírito foi o livro que acabou com qualquer chance que Academia de Vampiros tinha comigo, O Último Sacrifício foi o que enterrou de vez a série para mim. Quando terminei o volume cinco, pensei que o seis pelo menos traria uma melhorada, mas Deus, como eu estava enganada. As coisas que odiei em Laços do Espírito voltaram com tanta força nesse livro que em alguns momentos até contemplei a ideia de abandonar de vez a história, mas se eu tinha conseguido me arrastar por cinco livros não seria o último volume que me deteria. Continuei, e o título do livro acabou por dar nome também ao meu último ato em relação a qualquer coisa escrita pela Richelle Mead. Foi, sim, um sacrifício.

A escrita, que também mencionei na última resenha, ficou ainda pior. A cena que se destaca como a mais insuportável e mal escrita do livro para mim é a que Rose pensa ter enlouquecido. Mais uma vez, ela só faz relatar para gente como estava supostamente enlouquecendo, mas em momento nenhum sentimos essa “loucura” na narrativa. E o livro é em primeira pessoa, por Deus. Até os em terceira fazem um trabalho muito melhor em mostrar e não contar o que está acontecendo com o protagonista. A impressão que eu tive é que Rose é uma entidade à parte, contando tudo o que está acontecendo (até com ela mesma) como se estivesse vendo a situação de fora.  Se a protagonista do livro que estou lendo está experimentando algum tipo de desequilíbrio mental, eu quero sentir o que ela sente, saber porque ela acha isso, e não algo no estilo, “olha, eu estou enlouquecendo, tem escuridão na minha mente, isso é a loucura que todos falavam? Oh”. Sinceramente. Que. Diabos.

E falando da Rose, ah, sim, esse livro finalmente me convenceu que ela não tem salvação. Rose é, sem floreios, uma babaca. E sabe por quê? Bem, ela começou a namorar o Adrian e acaba tendo que fugir da Corte com Dimitri e mais tarde Sydney, certo? Pois bem; ela passa o livro inteiro se dizendo que superou Dimitri e que está com Adrian, mas aproveita TODA oportunidade para se jogar pra cima dele. Mas TODA mesmo. Dimitri pelo menos se mostrou mais correto do que ela, mas Rose, nossa querida protagonista? No final ela até hesita em dizer algo para Adrian porque precisa da ajuda dele e não queria irritá-lo agora. Tipo, oi??? Onde está seu pingo de decência, por cristo?

Como alguém que prefere o Adrian ao Dimitri, não pude deixar de me sentir irritada com todo mimimi “olha, eu estou me jogando para cima de outro, mas não estou traindo meu namorado” da Rose. Haja paciência.

E, bem, Adrian faz tudo por ela. Tudo. Qualquer coisa que ela pede, ele faz e sempre tenta ajudar. O que ele ganha em retorno? Hm, talvez a namorada dele sendo obcecada por outro enquanto afirma a cada página que não está obcecada por esse dito outro. Haja paciência de novo.

Como devem ter percebido, também odiei o romance. Vou logo dizendo que Richelle Mead quis MUITO que seus leitores acreditassem que Dimitri e Rose possuem motivos para estarem apaixonados. A Rose mesmo não perde uma oportunidade para esfregar na cara do leitor que ama o Dimitri porque, segundo ela, “ele me entende”. Os motivos de ele entendê-la tanto? Simples: ele sabe o que é querer proteger as pessoas à sua volta e também odeia ficar parado enquanto as coisas acontecem.

Ah, esqueça que essas duas coisas descrevem quase todos os guardiões do livro. Esqueça que até mesmo Eddie poderia dizer que entende a Rose por causa desses dois aspectos. É muito mais fácil acreditar que algo tão banal assim faria duas pessoas se apaixonarem desse jeito tão arrebatador do que realmente perceber que esses são os motivos mais idiotas possíveis para se apaixonar por alguém. Mas tudo bem. Prossigamos.

(Ignoremos também que Rose precisa dizer toda vez que olha pra Dimitri o quanto ele é sexy).

Uma coisa que me irritou bastante foi o modo com que a autora fez a Rose dizer alguns segredos para Victor – seu inimigo desde o livro um – como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. Compreendi na hora que ela queria fazer com que Victor e Robert se juntassem ao grupo de Rose, mas não conseguiu arranjar um jeito realmente convincente de fazer isso e teve de recorrer então a forçar a Rose a contar essas coisas para eles. Foi uma manobra bem mal feita; teve como bônus fazer a Rose parecer sem noção e burra, por que, por Deus, quem divulga segredos para seu arqui-inimigo do nada assim?

O resto do livro estava okay. Na verdade, esse “resto” poderia ter transformado o livro inteiro em algo que valesse a pena ser lido, mas infelizmente não foi o que aconteceu. O Último Sacrifício, para completar, terminou não terminando; perguntas não foram respondidas e o destino de vários personagens continuou um mistério. Adivinha por quê?

Bloodlines! O spin-off de Academia de Vampiros! Porque Deus nos livre de uma série que tenha um final certo e satisfaça um leitor ocasional, não é? Nah, terminou seis livros, cinco destes sendo o inferno na Terra? Toma aqui mais seis para descobrir o que acontece com os outros personagens! Ha!

Completamente justo, é claro.

Não, eu não sou contra spin-offs. Adoro-os, na verdade, mas só quando a série principal consegue ser o suficiente para se tornar completamente independente. A sensação que tive ao terminar esse último livro foi de que na verdade ele não era o último livro da saga coisíssima nenhuma. Richelle Mead, você me vendeu metade de uma série enquanto a propaganda dizia que eu estava comprando uma série completa. Supõe-se que o leitor casual – eu – tenha que ler agora o spin-off para saber o que acontece de verdade, mas adivinha? Não leio Bloodlines nem sendo paga. Nem mesmo pelo Adrian. Muito obrigada, mas não.

Enquanto dou uma estrela para O Último Sacrifício, gostaria de pedir algo para quem quer que tenha terminado esse livro também: qual diabos foi o último sacrifício mesmo, hein? Até agora não encontrei sacrifício nenhum nessa história. Só o do meu tempo mesmo

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