Resenha: Estilhaça-me, Tahereh Mafi

Estilhaça-me
Estilhaça-me #01
Tahereh Mafi
Skoob
★★☆☆☆

Juliette não toca alguém a exatamente 264 dias. A última vez que ela o fez, que foi por acidente, foi presa por assassinato. Ninguém sabe por que o toque de Juliette é fatal. Enquanto ela não fere ninguém, ninguém realmente se importa. O mundo está ocupado demais se desmoronando para se importar com uma menina de 17 anos de idade. Doenças estão acabando com a população, a comida é difícil de encontrar, os pássaros não voam mais, e as nuvens são da cor errada. O Restabelecimento disse que seu caminho era a única maneira de consertar as coisas, então eles jogaram Juliette em uma célula. Agora muitas pessoas estão mortas, os sobreviventes estão sussurrando guerra – e o Restabelecimento mudou sua mente. Talvez Juliette é mais do que uma alma torturada de pelúcia em um corpo venenoso. Talvez ela seja exatamente o que precisamos agora. Juliette tem que fazer uma escolha: ser uma arma. Ou ser um guerreiro.

Esse livro foi sem dúvida uma viagem. Eu nem sei por onde começar essa resenha, sinceramente, porque Estilhaça-me me deixou meio estupefata. E infelizmente não foi por ser bom. E nem mesmo por ser ruim. Estilhaça-me  foi… uma experiência singular.

Ou seja, o livro foi bizarro. Muito bizarro.

E olha que eu já esperava que ele fosse ser um tanto complicado, mas não pelos motivos que tenho agora. Acompanho de perto alguns blogs gringos e Estilhaça-me ou é amado ou odiado por eles sem o menor espaço para um “mais ou menos”. Recentemente até acompanhei uma discussão sobre os pares românticos do gênero YA, sobre como eles sempre são stalkers babacas que se tornam o mundo da protagonista no decorrer da história, e Estilhaça-me foi criticado justamente por ter um projeto de par romântico que se encaixa bem nesse estereótipo. Então eu meio que só comecei a ler esse livro para ter minha própria opinião sobre essa polêmica toda, mas, infelizmente, o par romântico stalker babaca aparentemente só se desenvolve mesmo no livro dois e eu meio que preferiria dar um tiro no meu próprio pé a ler a continuação dessa história. Então não foi esse o motivo de eu ter achado Estilhaça-me um livro bizarro. A culpa foi, principalmente, da escrita.

Tá, eu sei que a Mafi estava meio que tentando mostrar que Juliette não é o que pode se chamar de sã, mas esse livro tem umas pérolas incríveis. São comparações, metáforas e descrições no geral que são tão absurdas que fazem você pausar a leitura e encarar a parede mais próxima por alguns minutos antes de continuar. Sério.

Olha o nível:

(Não vou traduzir porque tem versão brasileira e eu não sei como está na tradução oficial).

It’s the only reason Adam is staying with me—because Warner thinks Adam is a cardboard cutout of vanilla regurgitations. (Chapter 24)

Preciso dizer alguma coisa? Não, né?

O livro inteiro é assim. Algumas passagens são tão ridículas que depois de um tempo eu não consegui levar mais a história a sério. Não dava para ler um trecho sem 1) rir 2) questionar minhas escolhas na vida 3) me arrepender de ter começado esse bendito livro. Sem exceções.

Mas, infelizmente, os pontos baixos de Estilhaça-me não pararam aí. É claro que os personagens foram ocos, sem personalidade, e é óbvio que o romance estragou tudo (ainda mais). Mas vamos por parte.

Primeiro, os personagens. Alguém mais notou que Juliette é praticamente a única mulher do livro inteiro? Só tem homem nesse livro e, é claro, 90% deles caem de amores por ela. Mas Juliette não tem personalidade nenhuma. E é burra demais. Sim, eu entendo que a vida dela foi uma grande merda, mas ela nunca usa seus poderes quando deveria, quando a sua própria vida e a de seus amigos estava em risco, e, como se isso não bastasse, a guria está chorando/corando/se desesperando/enlouquecendo mais um pouco o tempo inteiro. Raros são os momentos em que ela presta para alguma coisa. Juliette pode matar pessoas com seu toque e mesmo assim consegue ser uma completa inútil.

E Adam? Qual a personalidade do Adam? Ele deve ser o par romântico mais unidimensional que eu já li. Warner mostrou um pouco de potencial (sendo um psicótico maluco e tudo mais), mas a paixão dele por Juliette é tão forçada que anulou tudo o que a autora tinha conseguido construir para ele. Kenji foi o único com algum tipo de personalidade durante o livro inteiro.

E o romance. Deus, o romance.

*Pausa para suspiro profundo*

Esse livro não é uma distopia. É um romance paranormal tentando ser um pouco diferente ao (tentar) ter algumas características distópicas. Mas nunca, nem em mil anos, pode Estilhaça-me ser considerado um livro de distopia. Simplesmente não funciona. Fim.

E sim, como devem ter percebido, o romance foi horrível e tomou 90% do livro. Foi a coisa mais piegas, mais sem sal, mais mimimi que eu já li na vida. Adam e Juliette fazem Bella e Edward parecerem frios e insensíveis, para você ter uma ideia. E, é claro, os motivos para o carinha se apaixonar pela mocinha são ainda melhores (é porque Juliette é tão boa, tão doce, blá blá blá). *dorme*

Meu plano inicial era dar apenas uma estrela para Estilhaça-me, mas eu tenho que reconhecer que gastei apenas algumas horas para ler umas 300 e tantas páginas (na minha versão digital ao menos eram 300+) e isso quer dizer que o livro não conseguiu ser incrivelmente maçante. Tenho que reconhecer também que a autora tem uma escrita que poderia ser muito boa se não fosse pelas descrições ridículas (a escrita toda desse livro foi meio completamente tryhard, infelizmente, mas parece que a Mafi tem algum talento). Além disso, chegou um momento em que a coisa toda já estava tão bizarra que eu comecei a me divertir com as pérolas que encontrava. Pois é. Duas estrelas para Estilhaça-me.

E para quem consegue ler em inglês, os melhores mais bizarros quotes do livro inteiro:

I want to fall asleep to the sound of his heart beating in the atmosphere. (Chapter 32)

I’ve run out of words. My pockets are full of letters I can’t string together […] (Chapter 32)

[…]Maybe I was too young, and maybe I didn’t know much about the world, but there was something about you I was immediately drawn to. It’s like I just wanted to be near you, like you had this—this goodness I never found in my life. (Chapter 32 aka o capítulo do desesperado e do mimimi)

He says it with a small smile the size of Jupiter. (Chapter 19)

My legs have won the right to tremble. (Chapter 19)

I hate his smile.
Hate looks just like everybody else until it smiles. Until it spins around and lies with lips and teeth carved into the semblance of something too passive to punch. (Chapter 12)

The sky is raining bricks right into my skull. (Chapter 12)

My eyes are 2 professional pickpockets, stealing everything to store away in my mind. (Chapter 10)

Last night the memory of his arms around me was enough to scare away the screams. The warmth of a kind embrace, the strength of firm hands holding all of my pieces together, the relief and release of so many years’ loneliness. This gift he’s given me I can’t repay. (Chapter 7 aka ela “conhece” o cara há poucos dias)

His eyes are the perfect shade of cobalt, blue like a blossoming bruise, clear and deep and decided. (Chapter 4)

He fell asleep fully clothed. He’s wearing a navy blue T-shirt and khaki cargo pants tucked into shin-high black boots.
I’m wearing dead cotton on my limbs and a blush of roses on my face.
His eyes scan the silhouette of my structure and the slow motion makes my heart race. I catch the rose petals as they fall from my cheeks, as they float around the frame of my body, as they cover me in something that feels like the absence of courage. (Chapter 2)

I always wonder about raindrops.
I wonder about how they’re always falling down, tripping over their own feet, breaking their legs and forgetting their parachutes as they tumble right out of the sky toward an uncertain end. It’s like someone is emptying their pockets over the earth and doesn’t seem to care where the contents fall, doesn’t seem to care that the raindrops burst when they hit the ground, that they shatter when they fall to the floor, that people curse the days the drops dare to tap on their doors.
I am a raindrop. (Chapter 2)

🙂

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