Resenha: Gates of Thread and Stone, Lori M. Lee

Gates of Thread and Stone
Gates of Thread and Stone #1
Lori M. Lee
Skoob
★☆☆☆☆

No Labirinto, nós temos um lema: mantenha-se em silêncio, mantenha-se quieto, mantenha-se a salvo. Em uma cidade de muros e segredos, onde um homem deve possuir magia, Kai, dezessete anos, luta para manter oculto o seu próprio segredo – ela pode manipular os fios do tempo. Quando Kai tinha oito anos, ela foi encontrada por Reev na margem do rio, e seu “irmão” tem cuidado dela desde então. Kai não sabe onde sua habilidade vem – ou de onde ela veio. Tudo o que importa é  ela e Reev ficarem juntos, e talvez um dia se mudar do contentor de carga que eles chamam de casa, para longe das paredes metálicas do Labirinto. Seu único amigo é Avan, o filho do lojista com uma reputação escandalosa que tanto a assusta quanto a intriga. Então Reev desaparece. Quando manter-se em silêncio e manter-se quieta significa perdê-lo para sempre, Kai promete fazer de tudo para encontrá-lo. Ela vai deixar o único lar que ela já conheceu e arriscar ser pega no meio de uma revolução há séculos sendo tramada. Mas para salvar Reev, Kai deve desvendar os fios de seu passado e enfrentar verdades chocantes sobre seu irmão, sua amizade com Avan, e seu poder único.*

Quem conhece pelo menos a sinopse da história que venho escrevendo deve entender o porquê desse livro ter me chamado a atenção imediatamente. Para quem não conhece, Gates of Thread and Stone tem basicamente o mesmo principio que meu wannabe livro: uma garota sem memórias é salva por um garoto mais velho que se torna um irmão para ela apenas para ser sequestrado pelo cara mau anos mais tarde, dando assim início à história. Então sim, no momento em que vi esse livro na lista de lançamentos lá dos EUA a única coisa que consegui pensar foi ih, ferrou.

Felizmente,  Gates of Thread and Stone se provou completamente diferente do meu projeto já nas primeiras páginas, o que me deixou nas nuvens. Para compensar, o livro foi uma longa jornada pelo já familiar (para mim) reino do tédio. E da frustração.

O ritmo desse livro é algo simplesmente bizarro. As coisas acontecem tão rápido que você não tem a oportunidade de sentir nada pelos personagens ou pelos eventos, e tudo é resolvido com tanta facilidade que você fica meio, tá, quando é que a coisa vai realmente começaro tempo inteiro. É sério.

Um exemplo: sair de Ninurta, a cidade onde Kai, Reev e Avan vivem e a única de que se tem notícia desde que o Rebirth [renascimento] aconteceu, é proibido e não se tem notícia de ninguém que o tenha feito. Ou seja, sair de Ninurta é uma Grande Coisa e eu pensei que tal evento seria descrito, sabe?, como algo wow. Mas não foi. Sair de Ninurta foi moleza. Atravessar as Outlands [terras de fora] também era pra ser uma Grande Coisa, mas não foi. Assim como chegar ao Void [vazio]. Tudo foi rápido, tudo foi fácil, tudo foi sem emoção. Um tédio.

E as contradições desse livro são ainda mais alarmantes. São muitas, mas apenas para ilustrar: há uma floresta do outro lado das Outlands e ninguém sabe como ela ainda vive, já que o sol só aparece por uma semana ao ano desde que o Rebirth ocorreu. Os ricos de Ninurta até já pensaram em mandar para lá um time de pesquisadores para tentar descobrir o que realmente está acontecendo, mas nunca o fizeram porque não conseguiriam passar esse time de pesquisadores pelos gargoyles, uns bichos reptilianos modificados que habitam o Void e as Outlands. Presume-se que passar pelas Outlands e pelo Void seria algo difícil, né?

Mas Kai e seus amigos passam duas vezes, ida e volta, sem maiores problemas. Na segunda vez a situação é ainda mais ridícula: os gargoyles não atacam porque de algum modo sabem que atacar um grupo de quatro pessoas (sendo que eles, os gargoyles, são 1. maiores 2. possuem dentes afiados e garras 3. estão em maior número) seria algo insensato.

Pra que lógica em livros mesmo, hein?

Outra coisa que me incomodou foi o quão artificial Gates of Thread and Stone acabou sendo. Os personagens pareciam estar lendo o script de uma peça de teatro e se mostraram unidimensionais o livro inteiro. Os acontecimentos foram ligados do modo mais estranho e desajeitado possível. Às vezes eu até fiquei com a impressão de que a autora não queria passar emoção alguma com essa história (mesmo com a Kai desesperada para encontrar o Reev e o Avan fazendo de tudo para manter a Kai fora de perigo, simplesmente não deu pra sentir nada). Situações e cenas que poderiam ter despertado o mínimo de reação no leitor eram literalmente atropeladas pela narrativa, como o fato de que Kai e Avan treinaram por duas semanas, sem faltar um dia, e nenhuma dessas sessões foi realmente mostrada (outra coisa wtf com um spoiler pequeno: eles treinam por duas semanas e conseguem derrotar outros garotos e garotas que treinaram por dois anos. Ceeeeeerto).

E o romance, Deus, o romance. O romance tomou o livro por completo. Kai estava pensando no Avan o tempo inteiro e esses pensamentos eram tão idiotas que eu me sentia envergonhada por ela. Foi um suplício ler qualquer interação entre os dois. A coisa foi tão ruim que nem mesmo o fato de esse ser um livro young adult sem insta-love (um milagre, eu sei) serviu para salvar algo. Avan é um Gary Stu, Kai é uma Mary Sue e o romance entre os dois poderia matar uma pessoa de tão piegas e chato que é.

O final teve sim alguns momentos interessantes, mas muitos conceitos não foram bem explicados/lidados. Gates of Thread and Stone é mais um livro com uma ideia maravilhosa que foi desenvolvido de modo péssimo. Colocando em uma palavra só, Gates of Thread and Stone foi uma bagunça, infelizmente. E é por isso que ele ganha apenas uma estrela de mim hoje.

*Tradução livre.

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