Resenha: Mistborn, Brandon Sanderson

Mistborn – O Império Final
Mistborn #1
Brandon Sanderson
Skoob
★★★☆☆

O que acontece se o herói da profecia falhar? Descubra em Mistborn! Certa vez, um herói apareceu para salvar o mundo. Um jovem com uma herança misteriosa, que desafiou corajosamente a escuridão que sufocava a Terra. Ele falhou. Desde então, há mil anos, o mundo é um deserto de cinzas e brumas, governado por um imperador imortal conhecido como Senhor Soberano. Todas as revoltas contra ele falharam miseravelmente. Nessa sociedade onde as pessoas são divididas em nobres e skaa – classe social inferior –, Kelsier, um ladrão bastardo, se torna a única pessoa a sobreviver e escapar da prisão brutal do Senhor Soberano, onde ele descobriu ter os poderes alomânticos de um Nascido da Bruma – uma magia misteriosa e proibida. Agora, Kelsier planeja o seu ataque mais ousado: invadir o centro do palácio para descobrir o segredo do poder do Senhor Soberano e destruí-lo. Para ter sucesso, Kel vai depender também da determinação de uma heroína improvável, uma menina de rua que precisa aprender a confiar em novos amigos e dominar seus poderes.

Acho que faz um bom tempo que não fico tão indecisa quanto a como resenhar um livro. Minha própria experiência ao lê-lo foi confusa, de certo modo; foram mais de 600 páginas entre “estou morrendo de tédio” e “não consigo parar de ler”, sem muitos momentos “mais ou menos”. Ou eu estava adorando a história ou estava se arrependendo amargamente de tê-la iniciado. Sério.

Então, é, Mistborn se provou um livro mais complicado do que eu jamais imaginara.

Creio que o problema começou com a expectativa que eu tinha para ele. Raras vezes vi um livro – ou um autor – tão bem falados ou avaliados nas redes sociais, então acho que se pode concluir sem muita hesitação que fui com muita sede ao pote. Veja bem, há poucas coisas que eu posso considerar como “erradas” em Mistborn, mas mesmo assim eu me vi incapaz de realmente gostar da história ou dos personagens.

Sanderson é famoso, principalmente, por seus sistemas de magia. Já li Elantris, seu primeiro livro, e gostei muito de como a magia e seus usuários foram tratados pelo autor na história, então juntou-se essa boa impressão com as dezenas de resenhas elogiando o sistema de magia de Mistborn e pronto, lá se foram minhas expectativas em direção ao céu. Acho que não preciso nem dizer que essa foi minha primeira decepção.

O sistema de magia criado por Sanderson – a Alomancia – é diferente dos que costumamos ver em livros de fantasia, se destacando por ser original e inovador. Os alomânticos retiram seus poderes de metais que eles engolem, e cada metal representa um tipo de habilidade. Há os brumosos – pessoas que podem usar apenas um metal – e os Nascidos da Bruma (Mistborns), aqueles que podem usar todos os metais aceitos pela Alomancia. Parece ser super interessante, né? Bem, é porque a Alomancia é interessante de fato. Mas, infelizmente, não me fascinou.

Já li alguns artigos sobre sistemas de magia escritos por Sanderson e confesso que eles foram de grande ajuda para a criação do meu próprio sistema de magia, para uma das minhas histórias. Nesses artigos (acho que ninguém os traduziu para português, infelizmente), Sanderson fala sobre a existência de dois tipos de sistema de magia, o de soft magic e o de hard magic. Os que usam a soft magic são aqueles mais “abertos”, por assim dizer, com menos regras, onde a magia é algo misterioso e que ninguém – ou quase ninguém – entende muito bem. É o caso, por exemplo, do sistema de magia de O Senhor dos Anéis e (até onde se sabe) de As Crônicas de Gelo e Fogo.  Já os de hard magic são mais detalhados e algumas vezes lembram até mesmo uma ciência, possuindo regras bem claras sobre o que se pode ou não fazer. Exemplos desse tipo de sistema de magia são os de A Crônica do Matador do Rei (há um segundo tipo de magia nessa série que pode ser considerado soft magic, porém) e o do próprio Mistborn.

Acho que cada tipo de sistema tem seus pontos fortes e fracos. Para mim, o de soft magic pode facilmente levar a um Deux Ex Machina (aka a magia saindo do nada para salvar o dia, o que acaba com a qualidade do livro em um piscar de olhos), mas se usado com habilidade pode dar a história um senso de grandeza e de maravilha incríveis. Já o de hard magic praticamente anula a chance de um Deux Ex Machina acontecer e os leitores podem se sentir “parte do jogo”, por assim dizer, já que também conhecem as regras da magia que os personagens usam. Por outro lado, um sistema de magia que usa hard magic pode acabar bem chato. E foi esse meu problema com Mistborn; eu achei o sistema de magia um porre.

Inovador? Sim. Bem construído? Sim. Realmente interessante? Hm, na minha opinião, não. Aqui é uma questão de gosto mesmo, acho; hard magic raramente me agrada, então com a Alomancia as coisas não poderiam ser muito diferentes. E bem, em Mistborn a Alomancia está presente em quase todas as cenas, o que me garantiu uma passagem rápida para o reino do tédio.

Mas não posso culpar somente a Alomancia por ter ficado entediada não. O problema real foi o conteúdo do livro. Eu estava esperando algo extremamente inovador graças a todo o ei, a gente teve um herói e ele falhou porque essa ideia é maravilhosa. O mundo também é bem legal, mas eu queria algo realmente diferente. Quero dizer, ainda tivemos o lorde das trevas, ainda tivemos os nobres fúteis, ainda tivemos um herói bem tradicional, e não era isso que eu estava esperando. Eu estava esperando algo que inverteria todas as tropes da fantasia, mas não foi isso que me entregaram. Ou seja, decepção já nas primeiras páginas.

Outro problema: para mim, as coisas só começaram a engrenar mesmo na página 200, e o porquê é bem simples: há muita preparação nessa história. Nesse caso, a preparação da revolta skaa, que durou meses e se arrastou praticamente por 3/4 do livro, sendo o último 1/4 destinado ao final. Eu não teria problema algum com isso se não fosse pelo fato de que meu interesse por preparações de uma revolta, seja ela qual for, é praticamente nulo. Mistborn me entediou porque eu não conseguia me interessar pelo que estava acontecendo e, o que eu considero pior, eu não conseguia simpatizar de verdade com os personagens.

Mas, novamente, é tudo questão de gosto. É por isso que resenhar esse livro está se provando um tanto difícil. São poucas as coisas eu posso apontar e dizer “isso aqui foi mal-feito/está errado”; o que eu não gostei eu não gostei porque não era do meu interesse. As únicas coisas que eu realmente achei que poderiam ser melhores foram os diálogos (me deem uma moeda toda hora que Sazed dizer algo seguido por “I think” e eu acabarei milionária) e a caracterização de alguns personagens, principalmente da Vin (pra mim só faltaram escrever placas com ei, essa aqui é nossa protagonista tímida, quieta, observadora, que não confia em ninguém, mas que na verdade é uma garotinha que só quer companhia com setas apontando pra ela, sério). Os únicos personagens com quem consegui me importar foram Sazed, Spook e o autor do diário lá.

Ah, sim, teve o romance. Meio sem sal, meio sem graça, meio insta-love, meio sem desenvolvimento, com o par romântico da Vin sendo um saco, etc, etc, etc. Para ser sincera, o romance não chegou a me incomodar de verdade, mas achei desnecessário. Bem desnecessário.

Você deve estar se perguntando porque dei três estrelas a Mistborn se o livro me entediou tanto. Bem, meu plano era dar apenas duas, mas o final e os trechos antes dos capítulos começarem me fizeram decidir por três. O final por ter um plot twist que eu não vi chegando e os trechos por serem de longe a parte mais interessante da história. Houve momentos em que eu só continuei lendo o capítulo porque sabia que ia ter dois parágrafos que valeriam a pena ler no início do próximo. Triste.

Então é isso. Acho que vou continuar a série, já que comprei a trilogia inteira confiando nas resenhas que li (nunca mais faço isso, falando sério). Li em inglês, então alguns termos podem ser diferentes na versão brasileira. Três estrelas para Mistborn.

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