Blog mudando de endereço… De novo.

Estou arrumando as malas e indo para o Blogspot. Há um bom tempo que venho me estressando com o WordPress, por vários motivos que vão desde a formatação bizarra dos posts (o tanto que eu tenho que lutar na hora de adicionar um blockquote nisso aqui não está no gibi) (ou na hora de alinhar o texto, uma coisa simples que pode se transformar num parto. Vocês talvez até já tenham notado algumas resenhas totalmente sem formatação aqui e, acredite, é a porcaria do WordPress mexendo nas alterações que eu faço) ao fato de que não se pode editar o HTML de blog algum a não ser que se pague pelo pacote premium. E nem mortinha que pagarei pacote premium para um blog tão minúsculo quanto esse (por enquanto, eu espero).

Tinha escolhido o WordPress pelo aspecto meio Tumblr dele (já que esse blog é originalmente no Tumblr, então o sistema de seguir, reblogar, ter dash e etc me atraiu bastante) mas lá eu posso modificar o theme que eu quiser e formatar os posts do jeito que eu quiser e aqui isso é praticamente impossível. Um saco, sinceramente.

Então estou indo para o Blogspot. Obviamente não irei repassar o conteúdo daqui para lá (esse aqui vai ficar de arquivo), mas esse será o último post no WordPress. Vou aproveitar essa mudança para padronizar as duas plataformas do blog; essa vinha sendo apenas para resenhas e rants literários/lista de leitura, mas no Blogspot vou fazer como faço no Tumblr: algumas dicas de escrita de vez em nunca, resenhas, rants/lista, e alguns textos ou trechos meus quando eu tomar coragem para escrever.

Sem mais delongas, novo blog aqui. Desculpem o transtorno, mas não me adapto a esse caos que é o WordPress não, infelizmente.

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Lista de leitura – dezembro e janeiro

Não, eu não li todos os livros da minha lista para outubro e novembro. Para quem está com preguiça de clicar, os livros que eu tinha planejado ler nesses últimos dois meses eram: As Mentiras de Locke Lamora, The Young Elites, The Mirror Empire, Gardens of the Moon e A Canção do Sangue. Consegui terminar As Mentiras de Locke LamoraThe Young Elites A Canção do Sangue e, em compensação, li todos os cinco livros de Percy Jackson e mais dois de Os Heróis do Olimpo, que não estavam na programação, mas acabaram acontecendo. Ah, e também li duas das últimas edições da Revista Trasgo. Resultado final: dez livros livros + duas revistas.

Levando em conta que até agora li 32 livros em 2014, acho que esses foram dois meses bem produtivos. Mas vamos ao que interessa.

Há um problema bem chatinho para as minhas leituras de dezembro e janeiro: eu não tenho mais nenhum livro físico não lido comigo (well, tenho Anjos da Morte Os Doze, mas  aí eu teria que reler A Batalha do ApocalipseHerdeiros de Atlântida A Passagem, e estou sem saco para eles no momento). Felizmente (ou não) estou disposta a torrar algum dinheiro em livros em inglês, já que não tem nada traduzido que eu queira ler no momento. E os livros que pretendo comprar são:

  • The Goblin Emperor, Katherine Addison.

O mais novo e meio-goblin filho do Imperador tem vivido sua vida inteira em exílio, distante da Corte Imperial  e da intriga mortal que a permeia. Mas quando seu pai e três irmãos na linha de sucessão do trono são mortos em um “acidente”, ele não tem outra escolha que não tomar seu lugar como o único herdeiro legítimo sobrevivente.

Completamente despreparado na arte da política da corte, ele está sem amigos ou conselheiros, e tem total conhecimento de que quem quer que tenha assassinado seus pais e irmãos poderia tentar tirar sua vida a qualquer momento.

Cercado por bajuladores ansiosos para conseguir favores com o novo e ingênuo imperador, e oprimido pelos fardos de sua nova vida, ele não pode confiar em ninguém. Em meio ao turbilhão de tramas para depô-lo, ofertas de casamentos arranjados e o espectro de conspiradores desconhecidos que se escondem nas sombras, ele deve se ajustar rapidamente à vida como o Imperador Goblin. Todo esse tempo ele se encontra sozinho, e tentando encontrar até mesmo um único amigo … e esperando a possibilidade de romance, mas também vigilante contra os inimigos invisíveis que o ameaçam, para não perder seu trono – ou sua vida.

Passei por esse livro batido na primeira vez em que o vi no Goodreads, e o motivo é bem simples: o goblin no título. Pode culpar O Senhor dos Anéis, mas até hoje evito goblins, orcs e similares como protagonistas de livros porque tenho a ideia fixada (e errônea, aparentemente) de que essas raças são “do mal” e fim. Mas hoje o Fantasy-Faction postou uma resenha de The Goblin Emperor e a chamada dizia basicamente, “um livro de fantasia que não depende de violência para contar sua história”, o que quer dizer que cliquei no link na velocidade da luz. Além de uma resenha que falava muito bem da obra, encontrei também um trecho de uma entrevista que o site thebooksmugglers.com fez com a autora, Katherine Addison, em que os entrevistadores perguntam a ela se The Goblin Emperor era uma resposta ao subgênero Grimdark, já que Maia, o protagonista, é, bem, uma pessoa boa (chocante, eu sei). E a resposta dela foi:

“Eu queria escrever uma história (que refletisse minhas próprias crenças éticas, sobre as quais eu me torno mais feroz na medida em que vou envelhecendo) na qual compaixão significasse força ao invés de fraqueza. Grimdark é, de certo modo, outra iteração do byronismo, e tem a mesma falha de se tornar auto-congratulatória sobre sua escuridão, pessimismo e cinismo. Depois de um tempo – e digo isso como uma praticamente de Grimdark – eu cansei disso. Foi um alívio escrever algo que não pensasse dessa forma, um alívio escrever um mundo que não funciona desse jeito. Grimdark não é a única cor.”

E é nesse momento em que eu ergo as mãos pro céu e digo para mim mesma, amém, senhor.

Nem mesmo a possibilidade de um romance me assustou. Aliás, já mencionei que tem elfos?? Não?? Pois é, tem.

Also, 4.17 de nota no Goodreads, yo.

  • The Steel Remains (A Land Fit for Heroes #01), Richard K. Morgan.

Um lorde das trevas vai se erguer. Essa é a profecia que segue Ringil Eskiath – ou Gil – um mercenário experiente e um herói de guerra de uma única vez cujo cinismo é superado apenas pela velocidade da sua espada. Gil é distante de sua família aristocrática, mas quando sua mãe pede sua ajuda para libertar uma prima vendida como escrava, Gil sai para localizá-la. Mas logo se torna evidente de que há mais em jogo do que o destino de uma jovem mulher. Feitiçarias sombrias estão despertando na terra. Alguns falam em sussurros do retorno dos Aldrain, uma raça amplamente temida, demônios cruéis, mas bonitos. Agora Gil e dois velhos companheiros são tudo que se interpõem no caminho de uma profecia cuja realização afogará o mundo inteiro em sangue. Mas com heróis como estes, a cura pode se mostrar pior do que a doença.

Em uma situação normal, eu correria na direção oposta desse livro ao ler “mercenário” e “cinismo é superado apenas pela velocidade de sua espada” e voltaria, não muito convencida, ao ler “retorno dos Aldrain, uma raça amplamente temida” e “uma profecia cuja realização afogará o mundo inteiro em sangue”. “Mas com heróis como estes” provavelmente acabaria me fazendo desistir de vez, porém, e esse seria o fim da minha relação com The Steel Remains, mas, well, essa é a única fantasia grimdark que eu conheço que tem um protagonista gay (sim, ele é gay e a guria escrava da sinopse aparentemente não é o par romântico) e o autor não tem medo de se declarar feminista, então, é, vou acabar dando uma chance a esse livro. A nota no Goodreads não é tão boa (3.68), mas né, a esperança é a última que morre.

Enfim. Oremos.

  • Dragonflight (Dragonriders of Pern #01), Anne McCaffrey.

Como pode uma garota salvar todo o mundo?

Para os nobres que vivem em Benden Weyr, Lessa não é nada mas uma esfarrapda garota de cozinha. Durante a maior parte de sua vida, ela sobreviveu servindo aqueles que traíram seu pai e roubaram suas terras. Agora chegou a hora de Lessa deixar cair seu disfarce – e tomar de volta aquilo que é seu por direito.

Mas tudo muda quando ela encontra uma rainha dragão. O vínculo que elas compartilham será profundo e durará para sempre. Isso irá protegê-las quando, pela primeira vez em séculos, o mundo de Lessa é ameçado pelo Thread, uma substância maligna que caí como chuva e destrói tudo que toca. Dragões e seus Cavaleiros uma vez protegeram o planeta do Thread, mas muitos poucos existem atualmente. Agora a valente Lessa deve arriscar sua vida, e a vida de seu amado dragão, para salvar seu lindo mundo…

Venho querendo ler essa série desde 1500 a.C., desde que a vi listada como uma das obras de que Eragon roubou coisa (vínculo entre dragão e cavaleiro, etc, etc, com Dragonflight tendo sido publicado em 1968 e Eragon em 2002/2003 e coisa e tal), mas a falta coragem me impediu de pegar o primeiro livro pra ler. Mas Dragonflight irá ser adaptado para os cinemas, tem nota 4.07 no Goodreads, e oho, protagonista mulher + dragão fêmea + escrito por uma mulher = vitória!

Isso porque Dragonflight foi publicado há mais de quarenta anos. E depois perguntam porque as fantasias atuais me enchem tanto o saco. Well.

  • The Way of Kings (The Stormlight Archive #01), Brandon Sanderson.

Sem sinopse porque sinceramente, ela é longa demais para que eu a traduza com o pouco de coragem que tenho no momento.

 

 

 

 

 

 

Esse livro vai ser a última chance que darei a Brandon Sanderson. Já li Elantris Mistborn, e nenhum dos dois me convenceu de verdade. Tenho até uma ideia do porquê passo tão 😐 pelos livros desse cara, mas vou deixar para expô-la na resenha de The Way of Kings, se ela vier a ser verdade. Mas falam tão bem desse livro que se ele for ruim eu desisto da vida. O problema será eu de fato, porque sinceramente, não faz sentido eu ser a única não afetada por nada que Sanderson escreve.

  • City of Stairs, Robert Jackson Bennett.

Anos atrás, a cidade de Bulikov exercia os poderes dos deuses para conquistar o mundo. Mas depois que seus protetores divinos foram misteriosamente assassinados, o conquistador se tornou o conquistado; a orgulhosa história da cidade foi apagada e censurada, o progresso foi deixado para trás, e Bulikov é agora apenas mais um posto avançado colonial de novo poder geopolítico do mundo. Nessa mofada e retrógrada cidade pisa Shara Divani. Oficialmente, a mulher calma é apenas um outro diplomata humilde enviado pelos opressores de Bulikov. Extra-oficialmente, Shara é um dos mais talentosos mestres de espiões de seu país – enviada para investigar o assassinato brutal de um historiador aparentemente inofensivo. À medida que Shara persegue o mistério através da geografia física e política da cidade em constante em mudança, ela começa a suspeitar que os seres que antes protegiam Bulikov podem não estar tão mortos quanto parecem – e que suas próprias habilidades podem ser tocadas pelo divino também.

Com uma boa nota no Goodreads (4.23) e uma fama cada vez maior, City of Stairs está na minha lista de livros a serem lidos há um bom tempo, e como é um volume único pensei em adiantá-lo logo para ver do que realmente essa história se trata. A ideia de cidade com deuses/com seres que parecem deuses me lembrou um tico Elantris, mas o resto parece ser bem diferente (e a protagonista é uma mulher, né?).

Vou comprar alguns desses livros essa semana (porque né, $$$$$$). O problema (é, outro): livros importados podem demorar semanas para chegar aqui no Brasil. Como comentei mais cedo, decidi reler os livros de Eragon e ao mesmo tempo usar essa série para fazer uma espécie de guia sobre como não se escrever um livro de fantasia. Pretendo começar o primeiro volume, portanto, hoje mesmo.

Não comprarei The Mirror Empire porque ô livro caro, hein? Deixa pra depois. E não estou com muito saco para Gardens of the Moon, so.

De qualquer forma, e vocês, o que pretendem ler em dezembro e janeiro?

Resenha: A Canção do Sangue, Anthony Ryan

A Canção do Sangue
A Sombra do Corvo #01
Anthony Ryan
Skoob
★★★★½

Quando Vaelin Al Sorna, um garoto de apenas 10 anos de idade, é deixado por seu pai na Casa da Sexta Ordem, ele é informado que sua única família agora é a Ordem. Durante vários anos ele é treinado de forma brutal e austera, além de ser condicionado a uma vida perigosa e celibatária. Mesmo assim, Vaelin resiste e torna-se líder entre seus irmãos. Ao longo de sua jornada, Vaelin também descobrirá de quem foi o verdadeiro desejo para que ele fosse entregue à Ordem o objetivo sempre foi protegê-lo, mas ele não tem ideia do quê. Aos poucos, indícios de uma esquecida Sétima Ordem e questões acerca das ações do Rei Janus fazem Vaelin Al Sorna questionar sua lealdade. Destinado a um futuro grandioso, ele ainda tem que compreender em quem confiar. Neste primeiro volume da trilogia A Sombra do Corvo, Anthony Ryan estreia de maneira promissora na literatura com uma aventura repleta de ação.

Faz uns bons 20 minutos que estou encarando a página de A Canção do Sangue no Goodreads, indecisa entre dar cinco ou quatro estrelas para esse livro. Já li outras resenhas, pensei sobre a história, a escrita e os personagens, encarei a página mais um pouquinho e refleti sobre os outros livros que já receberam essas notas altas de mim. Veja bem, esse ano só dei cinco estrelas para três livros. Seria, então, A Canção do Sangue o há muito esperado quarto?

Depois de pensar muito, decidi que não. Mas admito que ele chegou muito, muito perto.

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Resenha: Revista Trasgo #04

Revista Trasgo #04
Jessica Borges, Fred Oliveira, Mary C. Muller, Ademir Pascale, Érica Bombardi, Gerson Lodi-Ribeiro.
Editado por Rodrigo van Kampen e ilustrado por Edmar Nunes de Almeida.
Skoob
★★★★
Admito que essa edição da Trasgo não foi uma de minhas favoritas, por motivos que explicarei nas mini-resenhas dos contos. Mas, apesar de alguns tropeços relacionados às histórias (na minha opinião, claro), a qualidade da escrita ainda se mantém excelente e só isso já o suficiente para conquistar muitos pontinhos comigo. Então, sem mais delongas, minha opinião sobre os contos da quarta edição da Trasgo:
  • Rendição do Serviço de Guarda (Gerson Lodi-Ribeiro): esse conto tem uma qualidade ótima, mas não foi pra mim. Acho que a essa altura do campeonato vocês já devem saber que sou louca por literatura fantástica, então leio a Trasgo mais por histórias desse gênero, embora não recuse ficção científica na maior parte das vezes. Rendição do Serviço de Guarda é do tipo de ficção científica que não me agrada, provavelmente porque sou leiga demais no assunto (também não sou chegada a infodumps e tal), mas a escrita é no geral ótima e a ideia geral do conto (principalmente a questão no final) são bem interessantes. Fãs de ficção científica provavelmente vão gostar bem mais do que eu.
  • Vivo. Morto. X. (Érica Bombardi): conto com uma escrita excelente e uma história muito, muito boa. Seria meu preferido de toda a edição se não fosse um pequeno detalhe: piada de feminista sendo “sapata”. Algo completamente desnecessário, sem o menor peso para a história em si. Basicamente o tipo de coisa que eu quero ver extinta da literatura. Mas se você conseguir ignorar isso vai encontrar um conto maravilhoso, como eu já disse.
  • Isaac (Ademir Pascale): sei que estou me repetindo, mas escrita ótima e história interessante. O único defeito para mim foi o fato do conto ser muito curto; mal havia começado e puf, terminou. Acho que se tivesse um desenvolvimento maior o resultado final seria ainda melhor.
  • Estive assombrando seus sonhos (Mary C. Muller): esse conto foi bem divertido e fácil de se ler. A história é muito legal e os personagens também, e a escrita é leve, mas sem deixar de ter alguma profundidade. O tipo de conto que te deixa um pouquinho mais feliz ao chegar o final do que você estava antes de começá-lo.
  • Arca dos Sonhos (Fred Oliveira): apesar de ter gostado sim de Arca dos Sonhos, achei o conto um tiquinho parado demais, mas a escrita e a história acabam compensando. É ficção científica de novo, mais uma vez do tipo que me deixa um tanto cansada, mas isso não me incomodou muito durante a leitura não. No geral, um conto bom.
  • No Labirinto (Jessica Borges): meu favorito junto a Estive assombrando seus sonhos. Gostei da mistura de ideias e referências, e gostei de finalmente ver um personagem não-heterossexual na revista, mesmo sendo um secundário. E, além disso, a escrita é ótima. No Labirinto é um conto que vale muito a pena.

Quem fez as ilustrações da quarta edição da Trasgo foi Edmar Nunes de Almeida e você pode vê-las aqui. Achei as de dentro da revista bem mais legais do que a da capa, mas consigo ver porque esta foi escolhida.

Para mais informações sobre como enviar seu conto, clique aqui, e para baixar e/ou ler a Trasgo, clique aqui. Enfim, quatro estrelas para essa quarta edição.

Resenha: Revista Trasgo #03

Revista Trasgo #03
Gael Rodrigues, Roberto de Sousa Causo, Caroline Policarpo Veloso, Claudio Parreira, Tiago Cordeiro e Liége Báccaro Toledo.
Editado por Rodrigo van Kampen e ilustrado por Kelly Santos.
Skoob
★★★★★
Uma coisa que eu acho muito legal na Trasgo é o fato de que, até agora ao menos, a revista continua melhorando a cada edição. Lembro de quando li a primeira e, apesar de ter gostado, não cheguei a ficar muito impressionada não, e só li a segunda para dar mais uma chance à literatura de fantasia e sci-fi brasileira, já que um dia (em um futuro um tanto distante) quero fazer parte ativamente dela. Hoje fico muito feliz por tê-lo feito; amei a segunda e, apesar de ter enrolado muito para começar, também adorei a terceira. Abaixo está minhas opiniões sobre os contos dessa edição:

  • O Empacotador de Memórias (Gael Rodrigues): gostei muito desse conto, tanto pela escrita quanto pela história, que é contada de um modo bem diferente do usual (aliás, o próprio conteúdo já é bem original). Não vou falar muito sobre o enredo; basta dizer que O Empacotador de Memórias trata de temas sérios, mas possui uma narrativa leve e gostosa de se ler.
  • Rosas Brancas (Roberto de Sousa Causo): Rosas Brancas foi um conto interessante e bem escrito (apesar de alguns infodumps), que faz parte de um universo muito maior (se não me engano ele é o prólogo de um dos livros do autor). Apesar de não ser exatamente fã de ficção científica (eu gosto, mas gosto do mesmo jeito que gosto de distopia ou sobrenatural: só sendo muito bem-falado/intrigante pra que eu arranje coragem pra ler), esse foi um conto que conseguiu me prender. O final também foi ótimo.
  • Feita de um sonho (Caroline Policarpo Veloso): prestei um tantinho mais de atenção nesse conto porque a autora é bem nova (17 anos e trocentos contos publicados) (sim, eu me senti um lixinho ao saber disso também). No geral, foi um conto bem escrito (não sou fã de primeira pessoa, mas aqui ficou bom) e como eu adoro a temática de sonhos x realidade, a história me agradou bastante.
  • Invasão (Claudio Parreira): o ponto forte desse conto é justamente a voz do personagem principal, que é bem diferente do que vemos hoje em dia por aí. A escrita também é ótima, e apesar do conto não ser muito do meu estilo, foi uma leitura divertida.
  • Viral (Tiago Cordeiro): Viral, como o próprio nome pode indicar, é sobre zumbis (o que já não é nenhuma novidade), mas o autor conseguiu dar um toque de originalidade bem legal para a história que me agradou bastante. Novamente, a escrita é boa, e os personagens são bem caracterizados. O final meio amargo também fez a história ganhar alguns pontinhos comigo.
  • O Vento do Oeste (Liége Báccaro Toledo): provavelmente meu conto preferido dessa terceira edição junto a O Empacotador de Memórias. É de fantasia, mas uma fantasia bem diferente, baseada na cultura árabe, e a própria história também é bem interessante. Aparentemente a autora planeja escrever um livro a partir desse conto, o que me deixa animada. Faz tempo que não leio uma obra de fantasia nacional, e se a qualidade de O Vento do Oeste for mantida nesse outro projeto, tenho certeza de que adorarei o livro.

Meus contos favoritos, como já disse, foram O Empacotador de Memórias O Vento do Oeste. Quem fez as ilustrações dessa vez foi a Kelly Costa (foram as minhas preferidas até agora, falando nisso), e você pode checar o trabalho dela para a Trasgo aqui.

Para mais informações sobre como enviar seu conto, clique aqui, e para baixar e/ou ler a Trasgo, clique aqui. Enfim, cinco estrelas para a terceira edição.

Resenha: Revista Trasgo #02

Revista Trasgo #02
Ana Lúcia Merege, Victor Oliveira de Faria, Jim Anotsu, George Amaral, Albarus Andreos, Cristina Lasaitis.
Editado por Rodrigo van Kampen e ilustrado por Alex Leão.
Skoob
★★★★

Como o material da primeira edição no geral me agradou, resolvi me livrar da preguiça para conferir a segunda edição da revista Trasgo. Abaixo está minha opinião sobre os contos contidos nela.

(Para quem quiser ler a resenha da primeira edição, está aqui).

  • Rosas: escrito por Ana Lúcia Merege, Rosas foi um conto que me fez soltar um “wow” quando terminei de ler.  Não vou falar muito sobre a história em si porque é um conto bem curto e eu acabaria não passando a ideia dele muito bem (?). Enfim, foi uma escolha perfeita para abrir a edição; é bem escrito, bem pensado e o final te deixa realmente surpreso. Gostei de verdade.
  • Cinco bilhões: esse deu um nó no meu cérebro da primeira vez que li (talvez porque eu o fiz às quatro e meia da manhã, mas enfim), logo quando a segunda edição foi lançada. Depois de ler outra vez, hoje, as coisas começaram a fazer mais sentido (lol). No geral, eu gostei também; é bem escrito (os diálogos me incomodaram bem de leve, só um pouquinho mesmo) e a ideia, apesar de não ser do tipo que eu gosto, foi boa o suficiente para me manter entretida até o fim. Escrito por Victor Oliveira de Faria, Cinco bilhões é um conto de ficção científica que se passa, inicialmente, em um futuro distante em que a humanidade não existe mais como a conhecemos hoje e que o nosso sol – então chamado de Sol Vermelho – está cada vez mais próximo de seu fim.
  • Hamlet: Weird Pop: escrito por Jim Anotsu, Hamlet: Weird Pop acabou me conquistando pelo estilo da escrita (que me agradou bastante, de verdade) e pelo enredo no mínimo inusitado. Viola Wright é uma jovem diretora prestes a estrear sua peça, uma adaptação meio diferente de Hamlet (até música do Simple Plan tocaria nessa adaptação, para vocês terem uma ideia), quando recebe a visita de um advogado do além. Segundo ele (um duende, aliás), Shakespeare não quer que ela mexa em sua peça. O desenrolar da conversa entre os dois é bem divertido, e o final também vale a pena.
  • Código Fonte: escrito por George Amaral, Código Fonte, assim como Rosas, me deixou surpresa no final. Também se passa no futuro, embora em um não tão distante assim, e trata de um dos temas preferidos de muitas histórias por aí: o envelhecimento e a imortalidade. O que me agradou mais nesse conto foi justamente o plot twist do final; houve um momento em que achei já ter descoberto o que aconteceria, mas então puf, a história deu uma reviravolta e me provou errada. Houve um pouquinho de infodump, mas nada grave. A escrita também foi ótima.
  • A Maldição das Borboletas Negras: esse foi um conto que realmente me divertiu. É interessante por causa da narrativa diferente, bem brasileira mesmo, embora seja também meio mórbido, e traz personagens e situações bem únicos. Me lembrou um pouco Rosas, não por seus enredos (são total e completamente diferentes), mas sim pela capacidade, por assim dizer, de realmente fazer o leitor se esquecer do mundo durante a leitura. Escrito por Albarus Andreos.
  • O Homem Atômico: último conto da segunda edição, foi escrito por Cristina Lasaitis. Bem divertido também, conta a história de um mendigo de São Paulo que dizia ser um cientista da época da ditadura e ter trabalhado em um programa nuclear brasileiro antes de ser exilado por saber demais sobre tal programa. Novamente, a escrita/narrativa se destaca e o final conclui com satisfação a história.

Na primeira edição da Trasgo foi até fácil escolher meu favorito, mas nessa admito que fico indecisa entre Rosas, O Homem Atômico e A Maldição das Borboletas Negras, embora todos os cinco contos sejam muito bons.

O artista dessa edição foi Alex Leão. Você pode conferir seu trabalho aqui.

Para mais informações sobre como enviar seu conto, clique aqui, e para baixar e/ou ler a Trasgo, clique aqui. Enfim, quatro estrelas para a segunda edição!

Resenha: Revista Trasgo #01

Revista Trasgo #01
Hális Alves, Karen Alvares, Marcelo Porto, Claudia Dugim e Melissa de Sá.
Editado por Rodrigo van Kampen e ilustrado por Felipe Pagliuso.
Skoob
★★★
A Revista Trasgo é a mais nova revista de contos de fantasia e ficção científica brasileira. De graça (pelo menos por enquanto) e digital, fica bem fácil colocar no celular e ler sempre que aparecer um tempinho livre. E, bem, foi isso que eu fiz.A Trasgo é composta por cinco contos, todos de temas diferentes (dentro, é claro, dos gêneros de fantasia e ficção científica). Abaixo está minha opinião sobre cada um deles.

  • Ventania: escrito por Hális Alves, Ventania é um conto distópico que se passa no litoral nordestino. Não quero falar muito do enredo para não estragar a história, mas eu gostei bastante do worldbuilding feito pelo autor para esse conto. A coisa toda ficou verossímil e bem estruturada, o que me deixou confortável para seguir com a leitura sem trancos ou barrancos. As únicas coisas que me incomodaram foi: 1) o final ficou um pouco corrido; Ventania se daria melhor como uma curta do que como um conto e 2) diálogos me incomodaram em alguns momentos, mas nada grave. De resto, está muito bom.
  • Azul: quem me conhece sabe que sou meio medrosa e fujo de qualquer coisa que envolva terror, mas o conto escrito por Karen Alvares me conquistou pela ideia original. Mais uma vez o final ficou meio corrido, mas a ideia foi tão boa que isso nem incomodou muito. Azul conta a história de Nora, que tem um encontro macabro ao voltar para casa
  • Náufrago: outro conto ambientado no nordeste (dessa vez na minha cidade, Salvador), escrito por Marcelo Porto, conta a história de Diogo, um homem que acaba no meio de uma enorme confusão no tempo enquanto atravessava a Baía de Todos os Santos a trabalho. Conto no geral bom; a escrita/os diálogos me incomodaram várias vezes, mas eu gostei.
  • Gente é tão bom: sinceramente não sei o que dizer desse conto. Acredito que seja uma espécie de crítica a nossa sociedade consumista de produtos industrializados, mas acho que a coisa toda ficou corrida demais para ter um bom efeito. No geral, regular. Escrito por Claudia Dugim.
  • A Torre e o Dragão: melhor conto dessa edição. Sinceramente, eu o adorei. Adorei tudo, desde a escrita até o enredo. Perfeito, sem mais. Se a autora, Melissa de Sá, fizesse um livro com esse plot eu compraria sem pensar duas vezes. O final foi muito bom, (e sim, agora vou dar uma stalkeada básica na escritora pra ver se acho mais trabalhos dela).

Além dos cinco contos, a Trasgo conta também com uma galeria de imagens, que muda a cada edição. Dessa vez o artista foi o Filipe Pagliuso, e você pode clicar aqui para conferir as obras dele para a revista.

E, por último, você pode enviar seu conto para a próxima edição da Trasgo. Para mais informações, clique aqui. Para ler/baixar a Trasgo, clique aqui.

Talvez, em um futuro distante, eu tente enviar um conto meu para a Trasgo, mas bem, primeiro eu preciso de uma ideia, né? Por enquanto vou me contentar em esperar as próximas edições.

Enfim, três estrelas para a edição piloto da Trasgo.

Rants literários: o problema com a fantasia grimdark

Sim, eu estou fazendo um rant sobre fantasia grimdark. Aposto que ninguém está muito surpreso, já que estou constantemente expressando o quanto odeio a fantasia grimdark em resenhas por aí. Ontem, por acaso, enquanto matava tempo na hora em que devia estar estudando para minha prova na segunda, acabei em um post que falava justamente sobre a fantasia grimdark e sobre qual, na opinião da autora, era seu problema. Ler esse post foi como finalmente enxergar após ter ficado muito tempo cega. Veja bem, eu já sabia que odiava fantasia grimdark, mas sempre atribuí esse desprezo todo à forma com que vários livros do gênero usam a violência apenas para chocar. Agora, no entanto, percebo que odeio esse tipo de obra por vários outros motivos que até então eu sentia que existia, mas não sabia exatamente quais eram.

Para quem não sabe, a fantasia grimdark é um subgênero da fantasia que abrange livros mais pesados, livros que são famosos por serem mais “realistas”, sendo assim considerados por possuírem sexo, violência, drogas, xingamentos, sujeira, morte e personagens cinzentos em suas histórias. Gostaria de deixar claro que não acho que a existência desses elementos seja um problema (personagens cinzentos, aliás, são uma dádiva para o gênero), mas sim o que eles geralmente trazem. E o que eles trazem é justamente o motivo de eu odiar tanto esse subgênero, motivo esse que é estupidamente simples, tão simples que eu não faço ideia do porquê não o notei antes: a fantasia grimdark não é escrita para mim.

Na verdade, a fantasia grimdark não é escrita para você se for ou mulher ou não-branco ou não-heterossexual. Fantasia grimdark é escrita para homens heterossexuais brancos. Simples assim.

Bem, fantasia como um todo sempre foi escrita por homens heterossexuais brancos para homens heterossexuais brancos, mas isso, na minha opinião, se deve ao fato de que até pouco tempo atrás era visto como normal colocar a mulher como um ser inferior nas histórias, ou ignorar totalmente a existência de não-brancos e não-heterossexuais, porque, bem, mulheres eram vistas como inferiores na sociedade, e não-brancos e não-heterossexuais eram completamente invisíveis (e muitas vezes ainda são). Fantasia (e ficção científica também) nasceu sendo escrita por homens heterossexuais brancos para homens heterossexuais brancos porque antigamente eles eram vistos como os únicos que importavam. E nem preciso dizer que hoje em dia as coisas não são mais assim, certo? Foi preciso muita luta e muito murro em ponta de faca para fazer o público geral entender que sim, mulheres, não-brancos e não-heterossexuais precisam e merecem ser representados em tudo, não só na literatura. As coisas finalmente começaram a mudar. Sim, ainda aos poucos, mais para as mulheres (geralmente brancas) do que para não-brancos e não heterossexuais, mas as coisas estavam mudando. Havíamos enfim saído da inércia.

Mas aí a fantasia grimdark ganhou força e de uma hora para outra estávamos mais uma vez de volta à estaca zero. E é por isso que eu a odeio tanto.

Como exatamente a fantasia grimdark nos levou de volta à estaca zero? é o que você pode estar se perguntando, e a resposta é simples. A fantasia grimdark se caracteriza por sua violência, sexo, drogas, xingamentos, sujeira, morte e personagens cinzentos, certo? E, como eu disse, esses elementos não são o problema. O problema é que, na fantasia grimdark, (na maior parte das vezes) a violência significa violência contra a mulher/não-branco/não-heterossexual, sexo significa estupro, xingamentos significa xingamentos contra a mulher/não-branco/não-heterossexual, sujeira, drogas e morte estão presentes apenas para chocar e personagens cinzentos significam apenas personagens amargos e/ou raivosos. Ou seja, esses elementos trazem basicamente sexismo, homofobia, racismo e escrita pobre, e ao invés de colocar a mulher como ser inferior e ignorar não-brancos e não-heterossexuais por influência da sociedade sexista, homofóbica e racista da época, agora o fazemos porque isso é, supostamente, ser realista.

Mas isso é ser realista onde?

Segundo escritores e fãs da fantasia grimdark, na idade média. Mas, ao contrário do que eles pensam, havia sim não-brancos na idade média (prestem atenção na aula de história de vocês, fazendo o favor) e mulheres eram vistas como seres inferiores por culpa da nossa querida Igreja Católica. Ser não-heterossexual era um pecado terrível também por culpa da já citada Igreja Católica. Mas nas fantasias grimdak não existe uma Igreja Católica. Na verdade, nos livros do tipo que eu li, quase nunca há a presença forte de qualquer tipo de igreja.

Ou seja, esses livros são sexistas, racistas e homofóbicos sem ter uma explicação plausível. Esses autores estão tomando emprestado coisas da nossa idade medieval para colocar na história deles sem pensar duas vezes em qualquer tipo de explicação ou justificativa, sem refletir sobre causa e consequência, apenas porque ser sexista, racista e homofóbico é supostamente “realista”. Ironicamente, o único livro grimdark que eu conheço com uma presença forte da igreja é o que estou lendo agora, A Canção do Sangue, e até o momento as (poucas) mulheres apresentadas foram bem retratadas. Em conclusão: o já batido argumento de “as coisas eram assim na idade média, então nós estamos apenas sendo realistas” não é válido. E, pelo amor de todos os deuses, existentes ou não, por que diabos sempre querem basear tudo na idade média? Eu só consigo ver um motivo: preguiça e zona de conforto. Sem mais.

E é por isso que fantasia grimdark não é escrita para mim. Eu, como mulher e pessoa provavelmente não-heterossexual, não tenho espaço algum em histórias desse tipo. Quando vou contra meu sexto sentido e pego uma fantasia grimdark para ler, eu já a começo sabendo que as mulheres ali provavelmente só servirão para serem estupradas, objetificadas e deixadas de lado, e sei também que terei que aguentar homens (brancos e heterossexuais em 99% das vezes) fazendo piadinhas obscenas e degradantes sobre mulheres o tempo todo. E isso enche o saco. Já cheguei ao ponto de me sentir fisicamente cansada ao ler um livro de fantasia grimdark de tão frustrada que já estou com o subgênero a essa altura do campeonato.

E o mais frustrante ainda é saber que esse tipo de coisa continua acontecendo não por causa de uma coisa difícil de se mudar como a visão de uma sociedade de certa época, mas sim porque esses autores (em sua esmagadora maioria homens brancos heterossexuais) decidiram que é “realista” ser homofóbico, racista e sexista. Mas, surpresa!, não é.

Outro argumento que já vi um autor de fantasia grimdark usar para defender obras assim é que “às vezes o mundo é uma merda mesmo”, e desculpe, mas é uma merda para quem? Para seu protagonista homem branco e heterossexual que escolheu ser um mercenário sanguinário e acabou perdendo a família? Sério? Porque pra mim ele é uma merda mesmo para as mulheres que seu mercenário sanguinário e colegas estupraram, para os não-brancos que na maioria das vezes sequer existem, e que quando existem são tratados como selvagens estúpidos, e também para os não-heterossexuais, que estão em um estado ainda pior de não existência. E quando existem, principalmente se forem mulheres lésbicas, é quase certeza de que acabarão estuprados e mortos.

Ou seja, o mundo é uma grande merda para todo mundo, menos para o protagonista branco heterossexual, que vive em estado de angst por causa muitos menores. Por que será, me pergunto, que isso não me surpreende nem um pouco?

E é por isso que acredito que a fantasia grimdark nos levou de volta à estaca zero. Não mais temos sexismo, racismo e homofobia em livros de fantasia por questões externas, mas sim porque se tornou regra. E quem não obedece essa regra é imediatamente colocado como inferior por ser “irreal”. Já perdi a conta de quantas vezes vi um fã de fantasia grimdark zombando dos outros tipos de fantasia porque, na opinião deles, esses outros tipos de fantasia não são “sérios”. São fracos, são livros para crianças. Fortes mesmo, sérios mesmo, são aqueles que leem fantasia grimdark, porque ela mostra o mundo como ele realmente é, e isso obviamente inclui racismo, sexismo e homofobia sem causa ou explicação. Bônus se tiver escrita pobre, já que agora todo personagem é um babaca, e aqueles que não são acabam vistos como idiotas.

Sinceramente? Me poupem. Sério. Bleh.

Mas Lynx, você pode estar se perguntando, por que esses autores querem tanto continuar considerando racismo, homofobia e sexismo como realismo?

Na minha opinião, sendo bem sincera: porque não os atinge e nem à maioria dos seus personagens principais. Veja essa lista aqui, a lista de grimdarks segundo o Goodreads. Veja quantos tem protagonistas femininas. Ou não-brancos, ou não-heterossexuais. Praticamente nenhum, né? É por isso que racismo, homofobia e sexismo vão continuar como a norma na fantasia atual, porque racismo, homofobia e sexismo garantem que o homem heterossexual branco vai continuar como protagonista. E obviamente é isso que homens heterossexuais brancos querem.

E gostaria de lembrar que a maioria esmagadora de escritores de fantasia, grimdark ou não, é formada por homens brancos heterossexuais. Interessante, né? Ha.

Não direi mais nada. Acho que nem preciso. A verdade está aí para quem quiser ver.

(texto que li ontem e me motivou a fazer esse post – em inglês).

Resenha: O Filho de Netuno, Rick Riordan

O Filho de Netuno
Os Heróis do Olimpo #02
Rick Riordan
Skoob
★★★

A vida de Percy Jackson é assim mesmo: uma grande bagunça de deuses e monstros que, na maioria das vezes, acaba em problemas. Filho de Poseidon, o deus do mar, um belo dia ele acorda de um longo sono e não sabe muito mais do que o seu próprio nome. Mesmo quando a loba Lupa lhe conta que ele é um semideus e o treina para lutar usando a caneta/espada que carrega no bolso, sua mente continua nebulosa. De alguma forma, Percy consegue chegar a um acampamento de semideuses, mas o lugar não o ajuda a recobrar qualquer lembrança. A única coisa que consegue recordar é outro nome: Annabeth. Com seus novos amigos, Hazel e Frank, Percy descobre que o deus da morte, Tânatos, está aprisionado e que Gaia pretende reunir um exército de gigantes para dominar o mundo e reescrever as regras da vida e da morte. Juntos, os três embarcam em uma missão aparentemente impossível rumo ao Alasca, uma terra além do controle dos deuses, para cumprir seus papéis na misteriosa Profecia dos Sete. Se falharem, as consequências, é claro, serão desastrosas.Meu problema com esse livro tem um nome. Ou melhor, dois: Hazel e Frank.

Eles me irritaram durante o livro inteiro e foram praticamente a maior causa de eu ter demorado tanto tempo para terminá-lo. Mas eu só vim perceber o porquê de eles terem me frustrado tanto hoje, umas cem páginas antes do fim da história, e esse motivo é muito simples: angst demais.

Não me entenda errado; eu adoro um bom angst, de verdade, mas só quando o plot e os personagens me convencem de que a quantidade de angst presente na história é a certa. E isso não aconteceu em O Filho de Netuno. No início sim, me senti mal pelas coisas que a Hazel foi obrigada a fazer e entendi bem os problemas de auto-estima do Frank, mas depois de um tempo eu mal podia ler um capítulo deles sem revirar os olhos. Eles reclamam demais, de si mesmos, da vida, dos deuses e de qualquer outra coisa que se mova. O livro inteiro foi uma festa de auto-piedade protagonizada pelos dois.

E o romance entre eles… Ew. Ew ew ew ew. Não. Sério. O angst exagerado de ambos os personagens estragou o pseudo-romance. Perdi a conta de quantas vezes revirei os olhos com Frank ficando >toda hora< preocupado com a ideia de que Hazel jamais iria gostar dele após ele fazer alguma coisa (essa alguma coisa geralmente sendo relacionada com salvar a vida deles??? Hã????) ou com a Hazel lamentando o fato do Frank ser uma pessoa tão boa que jamais aceitaria ficar com ela, que já fez tanta coisa errada. Bleh.

Frank e Hazel fizeram com que eu sentisse saudades da Piper e de todo o seu drama sobre ser linda. Então sim, as partes dos dois foram muito cheias de mimimi pra mim.

Mas não temam, pois Percy está nesse livro e seus capítulos compensam as lamentações de Hazel/Frank. Que os deuses sejam louvados. Amém.

E, é claro, temos o Nico e o acampamento romano que, como eu já disse em resenhas anteriores, é meu favorito. E a própria história é ótima também; Hazel e Frank foram o que realmente me impediu de gostar dela como eu deveria. Fora isso, o final é um pouco corrido, mas né, isso às vezes acontece com os livros do Riordan mesmo. Depois de ler os cinco de PJO e esses dois de HOO em sequência já estou pra lá de acostumada.

De qualquer forma, O Filho de Netuno fica só com 3.0 estrelas.

Resenha: Fios de Prata, Raphael Draccon

Fios de Prata
Raphael Draccon
Skoob

Mikael Santiago realizou o sonho de milhares de garotos. Aos 22 anos era o jogador brasileiro com o passe mais caro da história do futebol. Mas à noite os sonhos o amendrontavam. Às vezes, o que está por trás de um simples sonho – ou pesadelo – é muito maior que um desejo inconsciente. Há séculos, Madelein, atual madrinha das nove filhas de Zeus, tornou-se senhora de um condado no Sonhar, responsável por estimular os sonhos despertos dos mortais. Uma jogada ambiciosa que acaba por iniciar uma guerra épica envolvendo os três deuses Morpheus, Phantasos e Phobetor, traz desordem a todo o planeta Terra e ameaça os fios de prata de mais de sete bilhões de sonhadores terrestres. Envolvido em meio a sonhos lúcidos e viagens astrais perigosas, a busca de Mikael pelo espírito da mulher amada, entretanto, torna-se peça fundamental em meio a uma guerra onírica. E coloca a prova sua promessa de ir até o inferno por sua amada.

Li esse livro ano passado e já fiz uma resenha para meu tumblr há algum tempo, mas sinto que preciso de uma nova e mais detalhada agora. Plus, estou tão gripada que meus olhos ardem e respirar dói, e para completar coloquei aparelho ontem e no momento quero arrancar todos os meus dentes de tão nervosa que esse treco me faz ficar, com o bônus sendo que mal posso comer e isso está me levando lentamente à loucura/consideração de pensamentos assassinos. Então, sim, preciso extravasar toda a irritação que estou sentindo ou realmente acabarei matando alguém, esse alguém sendo muito provavelmente meu irmão, que vem reclamando de um bug em World of Warcraft no meu pé do ouvido desde domingo quando ele sabe muito bem que eu odeio World of Warcraft!!!!

Mas vamos ao que interessa.
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